A importância do Bitcoin em tempos de pandemia

A crise econômica reflexo do Covid-19 prepara-se para trazer consequências imprevisíveis. Muitos especialistas dizem que ela será diferente da crise anterior, que assolou o planeta no início da década de 2010, porque sua origem é externa ao sistema financeiro. Mas a imprevisibilidade dessa crise é real e talvez mais acentuada que no caso anterior. Nunca o site sobre o sistema do Bitcoin teve tantas visitas, vindas de tantos países, como agora – de pessoas querendo saber mais sobre o sistema, e se não valerá a pena aplicar parte de suas poupanças em criptomoeda.

O sistema financeiro poderá não estar preparado para enfrentar as consequências da travada econômica. Se isso acontecer, muitos se perguntarão se não será melhor colocar suas poupanças em uma espécie de “offshore”, onde estejam ao abrigo de desvalorizações e outros ataques. O Bitcoin representa isso mesmo.

Diversos casos de fracassos bancários, pouco falados pela mídia, estão levantando a questão de forma séria.

Líbano

Nesse pequeno país do Médio Oriente, com o qual o Brasil tem uma histórica e tão positiva relação, o governo está equacionando uma espécie de Plano Collor. O dinheiro dos cidadãos seria parcialmente confiscado em nome do interesse nacional e no que seria considerado uma situação de emergência, pois a dívida do país já é superior a seu PIB anual. No final de abril, houve protestos violentos, incluindo a destruição de diversas agências bancárias.

Venezuela

Muitos venezuelanos estão se voltando para a Bitcoin como forma de evitar a perda contínua de valor de seus ativos. O governo tentou criar uma criptomoeda oficial e pública, o Petro, associada ao valor do barril de petróleo produzido nacionalmente. Contudo, os críticos apontam que se trata apenas de uma medida que procura disfarçar a fortíssima inflação que se vem sentindo no país, e que faz com que quaisquer poupanças estejam cada vez mais desvalorizadas.

Egito

No Egito, antes ainda do início da pandemia, o governo estabeleceu um limite diário aos saques bancários por parte dos cidadãos. A justificativa, segundo o diretor do banco central do país, é que “muitas pessoas estavam levantando dinheiro sem precisarem” e que é necessária “disciplina”. Todavia, é certo que esses sinais poderão fazer com que as pessoas percam ainda mais a fé no sistema bancário – pelo menos no Egito, claro.

Pode o Bitcoin ser alternativa de reserva?

Os pressupostos teóricos e práticos do Bitcoin se mantêm sem alterações, mesmo em tempos de pandemia. A criptomoeda não pode ser corrompida nem manipulada, e todos os que a recebam podem estar certos de que ela será aceita novamente se a utilizarem para pagar algo. Funcionando com base na tecnologia e sem depender de um banco central, ela está a salvo de desvalorizações e de problemas relacionados com crises econômicas e políticas.

Assim, é perfeitamente compreensível que pessoas de todo o mundo (e também do Brasil) se virem para a Bitcoin com mais atenção, procurando um ativo financeiro realmente estável e valioso. A Venezuela, sofrendo há anos com a crise econômica, já estará numa fase mais adiantada desta procura de alternativas. Para os brasileiros, este pode ser o momento de antecipar e prevenir o futuro.

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