Palpite infeliz

Meu editor no JB pediu que antecipasse a entrega deste artigo para quarta-feira, 27. Com isso, tive que adiar minha promessa de visitarmos a Constituição. Em homenagem ao carnaval, farei a coluna de hoje em blocos.

Palpite infeliz

Este vai ser o carnaval do palpite infeliz. Voce pode escolher à vontade.Nossos governantes se esmeraram num besteirol infindo. O último veio de nosso augusto ministro da educação. Se ele continuar assim, é capaz de surrupiar a taça das mãos do ilustre chanceler, que vinha ganhando de largada. O ministro manda que todas as escolas perfilem seus alunos e os filmem cantando o hino nacional, após a leitura de sua carta. Pode isso, Arnaldo? Não. Não pode. As escolas não tem filmadoras. Bota no orçamento e tenta no ano que vem. Mas, não vale cortar a merenda escolar, viu? Columbinas para você também.

Escolas de samba

O dr. Paulo Guedes anda prometendo um trilhão e não sei quantos reais com a reforma da Previdência. Mas, as contas não batem. Do jeito que vai, lá pelo meio de junho, vem o pacotão das privatizações. A bolsa vai subir. E os banqueiros vão cair num frevo frívolo e frenético. E a Embrapa vai para a bacia das almas.

Confetes e serpentinas

Os ecolobistas estão aguardando os confeitos e as serpentinas das medidas do ministério da economia sobre comércio exterior. Pelo rodopio da porta-estandarte, o Brasil vai abrir as portas. E de forma unilateral. A tentativa com o leite das criancinhas talhou. Mas, tem muita manteiga para lubrificar, muita mamata para mamar. A bolsa vai subir. A agricultura subsidiada da União Europeia saúda o público e pede passagem.

Política externa

Recomendo a leitura da palestra do Embaixador Rubens Ricupero sobre a politica externa em andamento. É obrigatório para quem se interesse pelo futuro do país. O texto integral pode ser obtido no site da Casa das Garças. Ou no e-mail [email protected] Envie seu nome e e-mail e lhe mandarei o texto. Você também poderá usar o mesmo email para comentar ou criticar meus artigos.

Itamaratianas

O chanceler esteve como nunca nas páginas. Participou de conferência organizada pelos Estados Unidos contra o Irã. Grandes países da Europa não compareceram. O Irã é responsável pela compra de cerca de 8 % das exportações brasileiras. O Irã e Israel não se bicam. Depois do carnaval, o chanceler e o presidente vão visitar Israel, que, por sua vez, está em campanha eleitoral. Nela, Bibi espalhou pelo país enormes cartazes em que aparece apertando a mão de Trump. Entre outras coisas, os cartazes elogiam Bibi por ter conseguido fazer Trump transferir a embaixada dos Estados Unidos de Tel-Aviv para Jerusalem. Já viram a saia justa no varal, não é mesmo? Muda esta data para maio Araujo . Mês das noivas.

Itamaratianas 2

O chanceler reformulou o currículo do Instituto Rio-Branco. Saíram história da América Latina e o estudo das organizações multilaterais. Entram os filósofos. Que dirão, a seus países, os embaixadores da América Latina? E olha que, até recentemente, vários desses países, bem como muitos da África, enviavam seus diplomatas para estudar junto a seus pares brasileiros. Puro" soft power" diplomático. Acho que o chanceler não morou na filosofia.

Venezuela

O governo conseguiu parar uma insanidade. O vice-presidente Mourão colocou sem estridências os pingos nos "is". O Brasil não apóia intervenção militar na Venezuela e nem aceita que seu território seja usado como trânsito de forças armadas com este objetivo. Ao contrário do que o chanceler imaginava, "o tempo do diálogo não acabou". Passou para os militares. Uma lição que o Itamaraty não precisava levar, mas que indiscutivelmente mereceu.Caro chanceler, recomendo-lhe a leitura da excelente entrevista do ministro Celso Amorim no Valor do dia 26/2. E, se me permite, uma dica: antes de acompanhar o presidente em sua viagem aos Estados Unidos, estude bem os projetos de reeleição de Trump e o papel da diáspora cubana na Flórida. Até quando ficaremos de anjinhos numa luta de poder que não é nossa, que não nos interessa, que ameaça a paz mundial, que nos rouba gratuitamente mercados, que nos expõe ao ridículo e silencia nossa voz diante dos reais obstáculos a nosso desenvolvimento? Quem avisa amigo é. O resto é esquindolelê.

* Embaixador aposentado