A orgia institucional latino-americana

Há algum tempo atrás eu cataloguei cerca de 42 instituições de distintas categorias e objetivos na América Latina: politico-institucional, integracionista, cooperativista, financeira e aglutinação extra regional. Se o desenvolvimento das nações latino-americanas fosse condizente e proporcional a esse emaranhado de organismos, a região estaria num patamar de desenvolvimento similar ao dos americanos, chineses e europeus.

Mas em matéria de idiotices políticas, a região parece não ter limites, independentemente da direção política que cada país experimente alternadamente. Nos últimos vinte anos os arroubos dos mandatários de plantão extravasaram sua criatividade , aprovando os seguintes organismos na esfera política:

Calc (Cúpula da América Latina e Caribe); Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribe); Alba (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América); Unasul (União das Nações Sul-Americanas), criada em 2008.

No fundo, todas elas visaram criar alternativas para fugir das “amarras” da OEA sob o “marcado” domínio norte-americano. O que até agora cada um deles rendeu de frutos políticos, que eu saiba, nunca foi contabilizado e muito menos avaliado.

Mas a idiotice não tem limites. Agora mesmo, em face da crise político-institucional que está arruinando a Venezuela, os países integrantes da Unasul, da qual aquele país é um dos fundadores, parece não ter mais condições de resolver o imbróglio venezuelano e estão propondo a criação de novo organismo denominado Prosul sob apoio colombiano, chileno, peruano e, supostamente dos demais integrantes do Mercosul. A pergunta óbvia é: para quê?

As iniciativas que produziram resultados efetivos na região foram a Aladi (Tratado de Montevidéu 1980), que inclusive ampara juridicamente a vigência do Mercosul e a Aliança do Pacífico, aglutinação inteligente efetuada pelos citados países e pelo México.

O momento requer movimentos mais responsáveis e pragmáticos, sobretudo na esfera do Mercosul. O recente encontro presidencial brasileiro-argentino merece atenção especial num momento crítico para os dois países. Do lado brasileiro uma reformulação integral de política e econômica e fiscal e novos parâmetros de relacionamento comercial. Ao mesmo tempo disposição de colaboração integral com o governo Macri que atravessa uma fase crítica econômico-financeira que pode comprometer sua reeleição no final deste ano e propiciar um catastrófico retorno do “kirchnerismo” naquele país. Nossos novos dirigentes certamente não comungam com a endêmica idiotice latino-americana e acertarão o passo no sentido de um pragmatismo responsável para o país.

* Vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil - AEB