Agronegócio: maturidade de um gigante

O sistema do agronegócio é, hoje, o setor mais dinâmico da economia brasileira. Em uma visão do território, por sua capacidade de multiplicação e sua capilaridade geoestratégica, é o setor que fundamentará a retomada do crescimento interno e garantirá o equilíbrio no nosso Balanço de Pagamentos. Seja via os superávits recorrentes na Conta Comércio, como também pela entrada de Investimento Direto no setor e nas empresas coligadas. Tudo leva a crer que o agronegócio continuará como o principal fiador da macroeconomia brasileira.

Na vida real, nos negócios de exportação do setor, os números são muito consistentes. De acordo com o último relatório da Embrapa, “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”, o País apresentará, até 2026/2027, um crescimento significativo para a maioria dos seus produtos de exportação.

Um aumento de 77,5% nas exportações de algodão pluma; 37,8% nas de milho; 33,5% - soja em grão; 37,6% - frango; 34,9% - carne bovina; 41,9% - carne suína; 36,4% - açúcar; 19,6% - suco de laranja; 37,6% - leite; 38,3 – celulose; dentre outros itens.

O setor se aproximou dos grandes mercados de oferta e demanda por energia limpa. O agronegócio deve ser compreendido cada vez mais dentro da lógica dos mercados internacionais de oferta e demanda por energia. Afinal, cada vez mais a tecnologia incorpora centenas de produtos agrícolas à base da matriz energética.

Também cumpre dizer que o agronegócio brasileiro se firmou como um vetor fundamental da nossa Política Externa. São muitos os exemplos de projetos, já em andamento, que envolvem uma agenda de cooperação econômica importante entre o Brasil e países parceiros, tendo como estrutura econômica propulsora a área da agro energia. É ascendente a carga de investimento direto norte-americano, europeu e chinês em fazendas, processadoras e distribuidoras de produtos de origem agropecuária.

Todavia, à título de recomendação a este cenário realista e rico em possibilidades, deve-se chamar atenção para alguns óbices que impedem a eficácia sistêmica do setor do agronegócio. São problemas estruturais relativos, principalmente, a duas áreas em específico. O sistema de transporte e logística e o processo em si da negociação internacional.

Sobre as questões da Logística, é mister que a produção saia das fazendas com mais facilidade. E que chegue aos portos, aeroportos ou entrepostos com rapidez e segurança. Esta é uma necessidade não apenas para o mercado internacional, mas também para o mercado interno. Uma logística mais eficiente garante qualidade e preço do produto no Brasil e nos mercados externos.

Sobre nossa capacidade de negociação internacional, é fundamental uma mudança de paradigma na formação dos negociadores que trabalham com a marca ‘agronegócio brasileiro’. Devemos formar traders com uma predisposição para a abertura de novos mercados, se utilizando de ferramentas ágeis de negociação e desprovidos de uma cultura de ‘retranca’ nos momentos mais agudos da negociação.

Em resumo, percebe-se que cada vez mais a fazenda de porte pequeno, médio ou grande se constituirá em uma unidade de negócios com muito potencial; principalmente quando resolvidos alguns dos problemas estruturais aqui colocados.

Desta feita, o setor do agronegócio garantirá a qualidade de vida no campo e nas médias e pequenas cidades; acolherá migrantes e imigrantes; gerará maior desenvolvimento econômico sustentável e garantirá a segurança alimentar do Brasil e do mundo.

* Coordenador da Graduação em Relações Internacionais do Ibmec-RJ