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País - Artigo

O potencial empreendedor das periferias

Jornal do Brasil JUAN MEDEIROS*

A atitude empreendedora, muitas vezes, é associada somente à disrupção, tecnologia e escalabilidade. Mas não é só isso. Na verdade, envolve inovar dentro de uma empresa ou segmento já existentes. Caracteriza-se também pela habilidade de criar braços de negócios, promover novas demandas e oportunidades em um problema local. Porém, infelizmente há regiões que poderiam ter suas atividades econômicas melhor exploradas, mas não são.
Por exemplo, temos um número considerável de empreendedores em regiões periféricas que saem de seus bairros ou municípios para outros, levando cerca de duas a quatro horas de locomoção. Além de não ser nada sustentável, a possibilidade de impactar positivamente a economia local é descartada. A maioria deles não tem acesso à educação empreendedora nem fomento e oportunidades de aceleração para seus negócios.
Esse é um grande erro na Baixada Fluminense, já que possui uma economia tradicional admirável. A cidade de Nilópolis está em nono lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Rio de Janeiro. A cidade de Duque de Caxias tem o sexto maior PIB (Produto Interno Bruto) municipal do país. Já Queimados possui o distrito industrial com mais de 47 indústrias.
Mesmo diante de um gigantesco potencial, há obstáculos que travam o desenvolvimento econômico na região. O principal é a falta de fomento ao ecossistema empreendedor pelo governo e oportunidades descentralizadas. Vemos muitas ações em territórios de classe média e alta, porém muito pouco em regiões periféricas. Sofre-se muito com a escassez de oportunidades, pois os capitais humano e intelectual são muito mal aproveitados.
Para que esse cenário possa ser alterado positivamente, é necessário oferecer às pessoas educação empreendedora. Dessa forma, irá promover uma mudança de pensamento e gerar mais possibilidades para todos os setores. Os resultados? A região vai enxergar a necessidade de trazer mais projetos inovadores utilizando tecnologia e metodologias de grandes empresas internacionais, que são aplicáveis a qualquer negócio. No entanto é preciso que empresários se unam para fomentar mais oportunidades entre eles e para seus segmentos.
Portanto é fundamental que a região busque soluções de forma inovadora e cultive boas práticas. As periferias podem ser transformadas em grandes oásis de negócios. Mas para isso é necessário criar diversas possibilidades para impactar muito mais todos os setores: indústria, serviço e comércio. O empreendedorismo é e sempre será a grande chave do sucesso.


* Empreendedor, diretor do Colaboração.Space



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