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Homens que se parecem com homens

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Quando a psiquiatra francesa Marie-France Hirigoyen resolveu dividir o seu tempo entre atender em seu consultório, em Paris, na França, e escrever os livros “Mal-estar no trabalho”, “Redefinindo o assédio moral” e “Violência no casal”, sobre comportamentos, o objetivo era acender o farol na proa, iluminar! É como se alguém estivesse perdido em uma densa floresta e necessitasse de ajuda para abrir uma clareira para resgatá-lo a uma saída. É exatamente o que Marie-France propõe nos seus livros. Mostrar um caminho onde a mulher possa identificar, ainda precoce, no seu companheiro, o que ela chama de homem-ventosa: aquele que gradativamente destrói a sua autoestima, suga, faz ironias, questiona suas habilidades e da sua família. Aterroriza a mulher de forma tão covarde que ela vai perdendo a sua própria identidade, e, para a sua total nulidade, é uma questão de tempo. Em muitos casos o desmoronamento é sem volta.

Em qualquer relacionamento é importante frisar que a imposição é inaceitável de ambas as partes. A interrupção de denegrir com palavras insidiosas e constrangimentos de toda ordem deve ser feita no início da relação. Caso contrário, os conflitos serão inevitáveis ao longo da convivência e, às vezes, com desfechos trágicos. O diálogo é o único caminho capaz de manter uma relação harmoniosa; ele é o ponto de equilíbrio, inclusive, em possíveis conflitos. Em casos aparentemente insolúveis não resta alternativa, se não a ruptura pura e simples, para que ambos busquem novos horizontes valorizando a vida. Ninguém deve viver em sacrifício de outro; se esse alguém está sempre do lado oposto de amar e de ser amado.

É bem oportuno lembrar a tragédia ocorrida com a brasileira Maria da Penha Fernandes, que ao sofrer duas tentativas de assassinatos, por parte do seu “companheiro”, em 1983, e ter ficado com graves sequelas (paraplégica), ainda teve de esperar por 18 anos e contar com a intervenção da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da OEA - Organização dos Estados Americanos, para que, finalmente, o seu agressor fosse penalizado. Hoje, a lei 11.340/2006, que leva o próprio nome dela, é o símbolo da luta contra todos os agressores de mulheres. Homens não batem nem matam mulheres. Homens respeitam. Homens, mesmo em momentos difíceis com a sua companheira, encontram soluções que atenuam aquele conflito. Agora; aqueles que causam danos irreparáveis na sua companheira, sejam físicos ou psicológicos; esses se parecem com homens e não merecem comentários. “Uma em cada três mulheres pode sofrer de abuso e violência em sua vida. Esta é uma terrível violação dos direitos humanos, no entanto, continua sendo uma das invisíveis e reconhecidas pandemias de nosso tempo” (Nicole Kidman – atriz australiana).

A cumplicidade de um casal é fundamentada no amor. Somente o amor constrói alianças duradouras. É somente amando que edificamos as nossas proles sinalizando futuras gerações saudáveis e livres de qualquer tipo de violência. A relação é baseada em doar-se ao outro, em ser o outro, mas sem deixar de ser você. São caminhos promissores para constituição de uma família. A amizade é o ponto de concordância; assim como os rios que necessitam de seus afluentes para sobreviver e alimentar os oceanos.

A mulher é um ser dotado de inteligência tanto quanto o homem, portanto, apta a ocupar os mesmos espaços. Provendo, educando e atuando nas mais diversas áreas. Pensa, logo fala. Tem liberdade de expressão ao culto e é o eixo perfeito ao lado de um homem na construção de laços de família.

Por todos os caminhos onde haja algum vestígio da presença humana, lá estará a mulher. Não somente no papel imprescindível de gerar vida, mas parte inseparável na formação de uma pequena comunidade, ou, ainda, inserida no vasto mosaico de culturas de uma grande metrópole compartilhando e contribuindo para o bem-comum.

Mulher. Ela é realizadora. Combatente. Trabalhadora e indispensável no seio familiar, independentemente de sua tendência religiosa, raça ou lugar. Ela é universal!

* Articulista e Poeta



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