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País - Artigo

O voto mais perigoso para o país

Jornal do Brasil MÁRIO LIMA JR.*

Neste dia 7 de outubro, diante das urnas, o voto mais perigoso para o Brasil será aquele que pensa somente em si mesmo. Não leva em consideração que mais de 100 milhões de brasileiros vivem com menos de um salário mínimo por mês (IBGE). E despreza o fato de que a pobreza e a violência afetam principalmente a população negra do país.

O voto mais perigoso não reconhece que a fome voltou a atacar o Brasil durante o governo Temer, embora o combate à pobreza tenha sido uma das mais bem-sucedidas políticas públicas dos 13 anos de governo do PT.

Ele coloca a própria segurança acima de tudo, ainda que inocentes tenham que morrer. Prefere a violência cega e burra, também criminosa, contra a violência dos marginais. O eleitor que vota em quem prega o ódio geralmente não faz parte do grupo social de pessoas que podem ser confundidas e assassinadas a qualquer momento pela polícia militar ou pelas Forças Armadas. As verdadeiras vítimas querem desenvolvimento social e clamam por paz.

Os eleitores que defendem o fim do Bolsa Família nunca passaram fome. Aqueles que são contra as cotas raciais não se lembram dos universitários negros que foram os primeiros da história da família a entrar na universidade, após diversas gerações. Esses eleitores deixaram de ler sobre as consequências da escravidão desde que saíram do Ensino Médio e não entendem ao menos o significado plural, acadêmico e humano de uma universidade, pensam que é invenção da esquerda.

Menosprezam os direitos humanos porque nunca foram torturados, como muitos inocentes. O Brasil é o país que mais mata defensores do meio ambiente no mundo inteiro. Se não compreendem um fato estatístico simples, também não compreenderão o significado de uma exceção como Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal. Exigem o mesmo heroísmo de cada menino pobre e negro do país, algo improvável sem condições dignas de sobrevivência e educação de qualidade.

Quando existem condições seguras para o desenvolvimento da cidadania, mais cidadãos são formados. E isso não tem nada a ver com escolhas individuais, mas com ciência. No Rio de Janeiro, crianças são assassinadas dentro da escola, dentro de casa e no parquinho. Mesmo vestindo uniforme escolar, são assassinadas pela polícia nas ruas. Fetos são atingidos dentro da barriga da mãe. A tal da “questão de escolha” é uma ofensa contra os moradores das periferias do país.

Se o novo presidente não colocar em primeiro lugar o combate à pobreza, origem dos nossos males, o pobre continuará sofrendo sem esperança. Existe um consenso internacional de que o investimento em educação reduz a pobreza, constatação amparada por estudos como o que a Unesco fez ano passado. Sendo a educação uma ferramenta importante, fica fácil concluir que também é perigoso para o Brasil o voto direcionado ao candidato que ataca diretamente o Patrono da Educação Brasileira em seu plano de governo.

* Escritor gonçalense



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