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O futuro do Brasil é digital

Jornal do Brasil CLEBER DANIEL PAIVA*

O primeiro turno da eleição presidencial, que apontará o 38º presidente do Brasil, ocorre em 7 de outubro. O segundo turno, que temos como certo, será em 28 de outubro. Daqui até lá teremos pouco tempo para falar sobre todos os temas difíceis que paralisam o Brasil no estado atual de anomia. Principalmente com as constantes tentativas lançadas por candidatos de sequestrar a esfera pública de comunicação com pautas estreitas, que os favorecem a ganhar simpatia de alguns eleitores, mas polarizam o país e pouco colaboram para organização do debate produtivo para o Brasil.
A partir do início da propaganda eleitoral gratuita nas TVs e rádios, que ainda tem grande influência para inserir temas no cotidiano da sociedade, em 31 de agosto, até o dia da votação de primeiro turno das eleições 2018, temos apenas 45 dias. O período eleitoral mais curto da história da jovem democracia brasileira. Um observador desinteressado poderia até comemorar a brevidade da purga e tomar isso como um avanço, mas considerando o ritmo acelerado do desenvolvimento tecnológico externo, a crescente diferença de produtividade que temos para as principais economias do mundo e a existência de mercados cada vez mais globais, que possibilitam o alcance de enormes escalas, inéditas na história do capitalismo, a construção de um novo projeto de desenvolvimento econômico nacional passa a ser inadiável.
Precisamos ordenar as prioridades e exigir que os candidatos abordem temas centrais para um novo projeto civilizatório brasileiro, que seja uma contribuição moderna e reflexiva aos desafios de nosso tempo, quando a humanidade se aproxima de um novo paradigma de abundância, proporcionado pelas novas tecnologias que conduzem a Transformação Digital e a Quarta Revolução Industrial.
No entanto, os problemas estruturais alarmantes que condenam a capacidade produtiva alimentam o desemprego e impossibilitam investimentos de longo prazo no país. Já conhecemos alguns dos caminhos e institucionalidades para criar um ambiente econômico fértil, podemos extrai-los na análise civilizatória comparada com as nações que conseguiram aumentar sua produtividade para o topo dos padrões globais ao longo da segunda metade do século 20 e começo do século 21, como Alemanha, Coreia do Sul e China.
Ainda podemos nos posicionar nessa nova economia digital em formação, e criar desenvolvimento econômico que permita a realização de um projeto civilizatório, brasileiro e em estreito diálogo com o mundo nos próximos 20 anos. Isso não irá acontecer se mantivermos uma economia assentada no agronegócio e no extrativismo mineral, e sem tratar com atenção os incentivos para acelerar a digitalização e aos projetos da quarta revolução industrial essenciais para a tão sonhada transformação do país. Para isso, é preciso criar uma nova estrutura de crédito de longo prazo para as empresas e desenvolver a resiliência cibernética para a confiança nessa nova economia. Só assim podemos pensar em um futuro digital para o Brasil.

* Especialista em cibersegurança



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