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País - Artigo

Estado necessário

Jornal do Brasil LUCIANO MORAES*

Existe um ditado popular que diz que “em tempo de crise, enquanto alguns choram outros vendem lenço”. Bem, a situação nunca foi tão verdadeira, principalmente nesses últimos anos, em que temos acompanhado tantos acontecimentos no mundo da política, além de oscilações no setor empresarial. Para alguns, a iniciativa privada e o empreendedorismo são a solução para todos os percalços da nossa sociedade atual. Com efeito, a iniciativa privada e a inovação empresarial têm importância fundamental na construção e modernização de uma nação. No entanto, achar que elas, por si só, têm a plena condição de construir um país e estruturar toda uma sociedade é uma ideia absolutamente simplista.
Exemplos da influência dos governos no mercado é que não faltam. Para aqueles que gostam do padrão ditado pelos Estados Unidos da América, citamos as compras direcionadas do Estado amricano para armamento de seu próprio exército. Essa política demonstra a “ajuda” estatal em um determinado setor muito importante da economia daquele país. Para evidenciar um pouco mais como os empresários, sozinhos, não são capazes de mudar o curso da economia, posso citar outra ação recente, também do governo dos Estados Unidos, terra do conhecido “livre mercado”, que impactou no rumo das empresas: o impedimento da aquisição de organizações americanas por empresas estrangeiras, neste caso, empresas estrangeiras com controle do Estado chinês.
Com isso, não estou defendendo um Estado que comanda os meios de produção de forma direta, que uniformiza os meios de ganho, que comanda os preços e que diz o que deve ser produzido. Também não exalto um governo que abre mão de qualquer controle e simplesmente assiste às movimentações do mercado sem qualquer tipo de interferência. Estamos falando em um Estado que, em parceria com a iniciativa privada, pensa no desenvolvimento e na criação de uma sociedade forte, produtiva, desenvolvida, com mais emprego, com mais renda e, principalmente, com menos desigualdade social.
Fazendo um paralelo com a iniciativa privada, há momentos em que a alta gestão é mais presente em tarefas operacionais e há outros em que está mais distante da produção. Ajustar essa proximidade e apoio depende de cada situação vivida dentro da instituição. Não falemos em Estado mínimo e muito menos Estado máximo. Falemos em Estado necessário para cada momento do país.

* Diretor financeiro da Segware, formado em direito com especialização em gestão de negócios



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