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Século 21: o que ainda está por vir?

Jornal do Brasil RAQUEL STIVELMAN*

Ao decidir, ainda que relutante, escrever este artigo, com características de apreensões, surpresa e descobertas, eu já tinha lido 102 páginas de um livro extraordinário, um verdadeiro marco explanatório e perscrutador das profundas mudanças que estamos vivenciando no atual século 21. Trata-se de um livro recém-lançado na semana passada, mais precisamente no dia 31 de agosto de 2018. O seu título é “21 lições para o século 21”, da autoria de Yuval Noah Harari, jovem escritor israelense, autor do livro “Sapiens: uma breve história da humanidade”, no qual examinou com profundidade o passado do gênero humano. O seu segundo livro, “Homo Deus”, imaginou nossa existência em um futuro dominado por algoritmos.
Ainda, segundo a apresentação na orelha deste livro que iremos, agora, tentar entender, “... ele se concentra nos grandes dilemas e escolhas do presente”. Ainda na apresentação da orelha deste livro, são mencionadas algumas perguntas que nos assolam e cujas respostas explicativas e de solução estão longe de surgir. Vejamos algumas delas: “Por que a democracia liberal está em crise? O que esperar da epidemia Donald Trump? O que são e visam as fake news? Qual civilização domina o mundo: o Ocidente, a China, o Islã? Como lidar com o terrorismo? O que ensinar aos nossos filhos?”.
Neste livro, Harari destaca como tais questionamentos afetam a vida cotidiana dos homens de todo o mundo. É óbvio que irão impactar mais diretamente aqueles humanos que assistem e se defrontam com tais questionamentos importantíssimos. Historiador brilhante, Harari nos convida a examinar, a refletir a respeito da forma ideal de nosso envolvimento pessoal quando tantos ruídos e incertezas nos atolam. O seu primeiro livro, e o que se seguiu, “Homo Deus”, já venderam 12 milhões de exemplares em todo o mundo.
Em belíssima tradução de Paulo Geiger, Harari escreveu seu trabalho atual, destacando o poder da clareza, nesta nossa atualidade. Ele destaca sumariamente a importância da lucidez de visão. Consequentemente, Harari se propõe tentar oferecer alguma clareza. Basicamente trata-se de questionar o futuro que é o cerne de suas preocupações.
Trata-se, essencialmente, do seu desafio de, segundo suas próprias palavras na introdução do livro, “oferecer alguma clareza”. É o aqui e o agora que despertam o seu interesse mais de perto. O seu interesse primordial está nas questões atuais que não são poucas e também no futuro imediato das sociedades humanas. O que estará ainda por vir?
Somos aproximadamente 7 bilhões de pessoas atualmente e que são diferentes entre si, com problemas diferenciados. São muitas e diversas as angústias existenciais, Harari admite que a realidade é composta por muitas tramas. O seu objetivo maior é estimular a reflexão sobre a questão mais abrangente em todos os homens: “Qual é o significado profundo destes eventos?”.
O atual impasse político e ideológico fornece material para o início deste livro. O fim do século 20 apresentava a possível crença de que as grandes batalhas ideológicas eram entre o fascismo, o comunismo e o liberalismo, culminando com a vitória arrasadora deste último. O que acontece é que o vitorioso liberalismo está emperrado agora.
Eis as grandes perguntas que não conseguem calar: Qual o nosso destino agora? Para onde caminha a humanidade?
O que é hoje uma fonte de preocupação é que a fusão das revelações fornecidas pela tecnologia da informação e pela biotecnologia podem em breve expulsar bilhões de seres humanos do mercado de trabalho. E isto é muito preocupante! Uma crise social, econômica e política seria mais imediata.
Longe de Harari pretender cobrir todos os impactos das novas tecnologias.
Cabe aos sociólogos, filósofos e historiadores, segundo suas próprias palavras, “fazer soar o alarme e explicar o que pode dar errado”.
Na 3ª parte do livro, do qual ainda estou um tanto distante, Harari conclui que os homens poderão estar aptos a enfrentar a situação se puderem controlar os seus medos, seus temores e se puderem ser mais humildes, quanto às suas opiniões.
Na última parte do livro, sou informada de que prevalecem as perguntas primordiais: em que lugar estamos? Qual será o melhor que deveríamos fazer? Quão hábeis devemos ser? E a pergunta mor: Qual é o sentido atual da vida?
Urge e com bastante premência que o homem tenha o poder de se reformular e de promover a reengenharia da vida.
Harari conclui este interessantíssimo livro declarando a democracia liberal, ainda que excepcionalmente problemática, ser o modelo mais bem-sucedido e versátil que o homem criou.
Não é totalmente fácil nem recreativa a leitura desta obra-prima, mas confirmo com a mais sinceridade d´alma, está valendo muito a pena.
Inúmeras vezes tive que reler e mais uma vez reler alguns parágrafos até compreender satisfatoriamente o que havia lido. Até agora, só cobri 102 páginas.
Harari é um pensador brilhante, e seu livro é muito importante. Obrigada! Meu agradecimento por proporcionar tantos ensinamentos e temas para reflexão!

* Mestre em Educação pela UFRJ



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