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JB no campo: A administração pública e os produtores rurais

Jornal do Brasil EVANDRO GUIMARÃES, evandrog44@gmail.com

Sabemos todos que diferença faz para o resultado de qualquer empreendimento o entusiasmo e a dedicação dos recursos humanos envolvidos. Ainda não vi um trabalho sobre produtividade dos agentes públicos, que, do lado governamental, devem apoiar o desenvolvimento da agricultura e pecuária.

Tivemos época de muita visibilidade da extensão rural, em particular no período militar, em que a propaganda mostrava a assistência técnica como uma atividade vigorosa para a produção e o abastecimento. No mesmo período, com grande densidade, surgiram divulgações permanentes dos efeitos da pesquisa sobre o conjunto das atividades rurais. Já falamos mais do papel das entidades de apoio ao produtor. Nesse momento, os gatos são pardos.

Macaque in the trees
Em palestras no campo de produção, agrônomos oferecem demonstração de novas técnicas a dezenas de pequenos produtores (Foto: Divulgação)

É frequente vermos um material publicitário privado ser divulgado como algum modo de fazer, ou modo de aplicar, recomendado pelo lado de governo. As enormes máquinas de marketing e vendas das indústrias conseguem um contorno de orientação de aplicação de insumos ou sistemas com uma aura, um selo de aprovação que muitas vezes não existe.

No varejo de produtos em geral para fazendas ou sítios, milhares de lojas em todos os municípios, balconistas receitam soluções de toda ordem. Para não sair do trilho: que recursos humanos, entidades, faculdades, institutos, etc existem no Brasil? Que papel desempenham?

Quanto custam e que retorno dão em orientação técnica, modernização de gestão, produtividade enfim? Qual a característica marcante de formação em agronomia, veterinária, zootecnia, biologia e outras? Como o Brasil pode se qualificar cada vez mais a ter papel relevante na produção de alimentos e proteína animal turbinando o que podemos chamar genericamente de técnicas? Não sabemos.

Temos algumas das maiores autoridades mundiais no desenvolvimento de algumas tecnologias. Temos modelos de convênios integrados rurais muito bem sucedidos. Temos cooperativas muito atuantes e sólidas nas suas especialidades e regiões. Mas não me lembro de ter visto uma análise construtiva do setor público, com segmentação de recursos federais , estaduais e municipais. Não me lembro de ter visto um comparativo entre o que faz a área de governo com o fomento que hoje se observa no abastecimento, com iniciativas de enormes redes de varejo.

Não sabemos ainda como é o quadro geral. Quem sabe por esse lado a taxa de retorno da aplicação de recursos do orçamento pode dar um salto? Ou, quem sabe, boa parte do esforço de disseminação de técnicas de culturas específicas é de baixo resultado e deve ser sujeito a novo planejamento. Em cada município do Brasil não deveria estar publicado no site das prefeituras quem são os especialistas em milho e alface, por exemplo? Não seria devido divulgar quem entende de eucaliptos e roseiras?

Estou delirando, de propósito. Não sabemos sequer qual o veterinário municipal de plantão... Quem se importa por conforto animal pode ajudar. Somos essa poderosa e desorganizada Nação que não elege prioridades multiplicadoras. Em agricultura e pecuária podemos ter um levantamento mais amplo para coordenação de atividades, experiências bem sucedidas e, mais recursos melhor aplicados.

Os candidatos estão aí , confundindo melancia com fruta-pão, sem saber o que faz o Senar ou a Secretaria Municipal de Agricultura, elogiando técnico de extensão em piscicultura como se ele pudesse cuidar também de viveiros de mudas de cítricas, trocando alhos por bugalhos. Escolha um candidato que pede voto na área rural que saiba do que está falando e tenha alguma ideia consistente para melhorar o nosso mundo.



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