Restos mortais localizados e apontados por assassino confesso são de Dom Phillips, confirma PF

...

Foto: AFP 2022 / Joao Laet
Credit...Foto: AFP 2022 / Joao Laet

O comitê de crise da Polícia Federal (PF) do Amazonas confirmou que um dos corpos localizados nas buscas pelo jornalista britânico Dom Phillips e pelo indigenista Bruno Araújo Pereira é de Phillips, correspondente do jornal inglês The Guardian. A confirmação foi feita por meio de nota da PF no fim dessa sexta-feira (17).

A localização dos restos mortais foi feita após informações do paradeiro dadas pelo pescador Amarildo da Costa Oliveira, o "Pelado", que confessou ter assassinado o repórter e o indigenista, servidor licenciado da Fundação Nacional do Índio (Funai), na região do Vale do Javari, norte do Amazonas.
Os corpos localizados estão sendo periciados no Instituto Nacional de Criminalística da PF.

Além de Pelado, seu irmão Oseney da Costa de Oliveira, o "Dos Santos", também está preso sob suspeita de participação no crime de repercussão internacional. Outros três possíveis cúmplices estão sendo investigados.

 

Macaque in the trees
O indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira, da Funai, no centro da foto, em março de 2019 (Foto: Foto: Sputnik Brasil)

 

Em nota, a PF informou que a identificação do corpo de Phillips foi feita com base em um exame de odontologia legal combinado com técnicas de antropologia forense.
A identificação do segundo corpo, que seria de Pereira, segue em andamento.

"Encontram-se em curso os trabalhos para completa identificação dos remanescentes [humanos], para a compreensão das causas das mortes, assim como para indicação da dinâmica do crime e ocultação dos corpos", finalizou o comunicado.

Mais cedo, a PF divulgou uma nota dizendo que não há indícios de que o duplo homicídio tenha sido cometido mediante ordem de mandantes.
Logo em seguida, a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) criticou o comunicado da PF.

“A Univaja não concorda com o desfecho da Polícia Federal que afirma não haver mandante para o crime que culminou na morte de Dom e Bruno. A PF desconsidera as informações qualificadas oferecidas pela Univaja em inúmeros ofícios desde o segundo semestre de 2021, período de implementação da EVU (Equipe de Vigilância da Univaja). Tais documentos apontam a existência de um grupo criminoso organizado atuando nas invasões constantes à Terra Indígena Vale do Javari, do qual Pelado e Dos Santos fazem parte. Esse grupo de caçadores e pescadores profissionais, envolvido no assassinato de Pereira e Phillips, foi descrito pela EVU em ofícios enviados ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal e à Fundação Nacional do Índio. Descrevemos nomes dos invasores, membros da organização criminosa, seus métodos de atuação, como entram e como saem da terra indígena, os ilícitos que levam, os tipos de embarcações que utilizam em suas atividades ilegais", disse a entidade indígena em um texto bastante detalhado.

Dom Phillips e Bruno Pereira desapareceram no dia 5, após uma incursão pelo Vale do Javari, na Amazônia, região que concentra o maior número de aldeias e tribos de indígenas isolados, ou seja, que pouco ou jamais tiveram contato com a sociedade em geral.

O local também é palco de diversas atividades criminosas, como pesca e garimpo ilegais, além de tráfico de drogas e de armas.

Pereira, que liderou a sede da Funai na região durante nove anos, era exímio conhecedor dos rios e localidades do vale.

Na quarta-feira (15), Pelado, que vinha negando a participação no crime, confessou aos policiais federais que havia matado, esquertejado os corpos e enterrado os cadáveres de Dom e Bruno. Ele indicou a localização dos restos mortais, além de ter feito uma reconstituição do crime. (com agência Sputnik Brasil)



[Dom Phillips]
O indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira, da Funai, no centro da foto, em março de 2019


Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade.
Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
Saiba mais