Longo caminho de luta e desafios; Dia da Consciência Negra no Brasil faz 50 anos

A luta do movimento negro no Brasil é emblemática, uma vez que 56% da população brasileira é de origem negra e parda. Em meio a represálias e violência, o povo negro resiste e vem conquistando seu espaço

Foto: Reuters / Amanda Perobelli
Credit...Foto: Reuters / Amanda Perobelli

Neste ano, completam-se 50 anos do Dia da Consciência Negra no Brasil, data importante que marca a luta do povo que representa grande parte da população brasileira.

A data foi instituída em 1970, quando jovens universitários negros sugeriam o 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares, para celebração, a fim de destacar o protagonismo da luta dos ex-escravizados por liberdade e gerar reflexão para as questões raciais.

Mas como se encontra hoje a luta da população negra por seus direitos no Brasil? Um dos destaques desse ano foi o fato de, em 26 edições da Conferência do Clima das Nações Unidas (COP26), a presença significativa de organizações do movimento negro.

Além das lideranças indígenas, organizações da luta antirracista levantaram o debate sobre o genocídio em curso como efeito direto da crise climática. Os grupos ainda lançaram um manifesto em defesa da titulação de territórios quilombolas.

Foi a primeira vez na história do movimento que lideranças saíram em tour pelos parlamentos de Paris, Madrid, Berlim e Munique para denunciar o racismo ambiental e a violência contra a população negra no Brasil.

Na ancestralidade das pessoas que lutam e suportam o movimento negro brasileiro está o emblemático Quilombo dos Palmares, refúgio para os povos escravizados no século XVII.

Localizado na Serra da Barriga, em União dos Palmares, Alagoas, o local que um dia esteve sob o comando do líder guerreiro Zumbi dos Palmares é hoje patrimônio internacional e destino turístico cada vez mais procurado.

Entretanto, a luta negra no país ainda tem um longo caminho. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Estado do Rio de Janeiro, nos últimos 15 anos, pessoas negras e pardas morreram 4,7 vezes mais do que brancas em ações da polícia no estado.

Os dados evidenciam que 72% de todos os óbitos causados por intervenção de agentes do Estado nesse período ocorreram com essa população.

De acordo com Cleber Ribeiro, coordenador-geral do Instituto Pensamentos e Ações para Defesa da Democracia (IPAD), o racismo estrutural faz com que pessoas negras sejam consideradas "corpos matáveis da sociedade".

Além da violência, a população negra ainda enfrenta outros desafios no mercado de trabalho, uma vez que, de acordo com dados de 2020 colhidos pela PUC Rio Grande do Sul, trabalhadores negros recebem salário 17% menor que brancos com a mesma origem social.

O resultado mostrou que há diferenças no rendimento de brancos e negros, mesmo quando eles vêm de famílias com recursos econômicos e culturais semelhantes.

A população negra no Brasil constitui 56% dos 212,6 milhões de habitantes. (com agência Sputnik Brasil)

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