Comandante de sete batalhões da PM paulista convoca para ato bolsonarista e ataca Doria e o STF

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Foto: Diego Gama/Câmara Municipal de Sorocaba
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Um comandante da Polícia Militar de São Paulo está convocando seus “amigos” para a manifestação do dia 7 de Setembro em Brasília, classificada pela Procuradoria-Geral da República como “tentativa de levante”, na qual bolsonaristas pretenderiam atacar o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso em nome da adoção do voto impresso.

O chefe do Comando de Policiamento do Interior-7 (CPI-7), coronel Aleksander Lacerda, tem sob suas ordens 7 batalhões da PM paulista, cuja tropa de cerca de 5 mil homens é desdobrada em 78 municípios da região de Sorocaba, sede do CPI-7. O oficial afirma ainda que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM), é “covarde”, que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), é uma “cepa indiana” e o deputado Rodrigo Maia, recém-nomeado secretário de Projetos e Ações Estratégicas do Estado, é qualificado como beneficiário de um esquema “mafioso”. 

As manifestações do coronel são o mais forte episódio de contaminação do bolsonarismo na PM paulista, pois envolvem um comandante da ativa – o que, segundo especialistas ouvidos pelo Estadão, pode configurar transgressão disciplinar. Elas acontecem em meio à crescente tensão no País com a convocação dos atos do 7 de Setembro. Além dele, militares bolsonaristas da reserva em Estados como Ceará e São Paulo, têm convocados veteranos da PM para os atos. Esse é o caso do coronel Ricardo Mello Araújo, diretor do Ceagesp, que gravou um vídeo em sua conta do Instagram convocando veteranos da Rota.

Ao contrário dos integrantes da ativa, os homens da reserva podem participar de manifestações. O medo de ruptura ligada às PMs faz parte do cenário traçado por oficiais generais e ex-ministros da Defesa como Raul Jungmann, conforme revelou o Estadão. O temor é que Bolsonaro use as PMs para tentar uma ruptura e melar as eleições de 2022. No sábado, 21, os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), e do Piauí, Wellington Dias (PT) anunciaram um encontro, hoje, entre 24 governadores para discutir a defesa das instituições democráticas.

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O coronel Lacerda fez suas manifestações em sua conta no Facebook. Após a Secretaria de Segurança ser procurada anteontem pela reportagem, o coronel fechou ontem a conta para desconhecidos. Até então, tudo era público. Em 16 de agosto, postou: “Liberdade não se ganha, se toma. Dia 7/9 eu vou” No dia 20, o coronel publicou mensagem na qual é dito que “nenhum liberal de talco no bumbum” consegue “derrubar a hegemonia esquerdista no Brasil”. “Precisamos de um tanque, não de um carrinho de sorvete”. Sobre o dia 7 de Setembro, compartilhou a mensagem: “caldo vai esquentar”.(Marcelo Godoy/Agência Estado)

ATUALIZAÇÃO DA NOTÍCIA

8H41: O governador de São Paulo, João Doria, decidiu, nesta segunda (23), afastar Aleksander Lacerda, coronel que convocou PMs para ato golpista de 7 de setembro. O motivo: indisciplina. Ele foi excluído dos quadros da Polícia Militar após convocar “amigos” para a manifestação bolsonarista que ocorre no próximo mês. O coronel tinha sob suas ordens sete batalhões da PM de São Paulo, uma tropa de cerca de 5 mil homens. Ao convocar para o ato, ele chamou o governador do estado de “cepa indiana”. Também ofendeu Rodrigo Pacheco, chamando-o de “covarde”, e Rodrigo Maia, chamado de “mafioso”. (com Diário do Centro do Mundo)