'Assustador ver manifestações pela volta do regime militar', diz ministro do STF

Fernando Frazão/Arquivo/Agência Brasil
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Ato em Brasília pede intervenção militar (Foto: AP Photo / Andre Borges)

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF, criticou manifestações realizadas neste domingo (19) em várias cidades do país pedindo fim do isolamento social e pautas como o retorno do regime militar.

Em sua conta no Twitter, Barroso se pronunciou contra as manifestações antidemocráticas, citando ao final uma frase do ativista norte-americano Martin Luther King.

Em Brasília, o protesto, que ocorreu em frente ao quartel-general do Exército, contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro.

Além de exigirem o fim das medidas de restrição ao comércio e à circulação de pessoas para conter a disseminação do coronavírus, os manifestantes também pediam intervenção militar, fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) e até mesmo um novo AI-5, ato que instaurou a fase mais dura da ditadura.

"Só pode desejar intervenção militar quem perdeu a fé no futuro e sonha com um passado que nunca houve. Ditaduras vêm com violência contra os adversários, censura e intolerância. Pessoas de bem e que amam o Brasil não desejam isso", escreveu Barroso em outra publicação.

Barroso não foi o único juiz da mais alta corte brasileira a se pronunciar sobre o ato em Brasília. Gilmar Mendes disse que "invocar o AI-5" era "rasgar o compromisso com a Constituição".

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, também usou as redes sociais para criticar a manifestação. Ele disse que no Brasil, além da luta "contra o corona", era preciso combater o "vírus do autoritarismo".

Em outra publicação, Maia disse que "pregar uma ruptura democrática diante dessas mortes é uma crueldade imperdoável com as famílias das vítimas e um desprezo com doentes e desempregados.

Ex-presidentes da República se somaram ao coro dos que se indignaram com a manifestação e a presença de Bolsonaro no protesto na capital.

Pelo Twitter, Fernando Henrique Cardoso disse que a ida do presidente ao ato era "lamentável".

Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou sugerindo que é possível retirar um presidente do poder por meios legais.

No protesto em frente ao quartel do Exército, Bolsonaro subiu em cima de um carro e falou para os presentes.

"Eu estou aqui porque acredito em vocês. Vocês estão aqui porque acreditam no Brasil. Nós não queremos negociar nada. Nós queremos é ação pelo Brasil. O que tinha de velho ficou para trás. Nós temos um novo Brasil pela frente", disse o presidente.

Bolsonaro publicou um vídeo dele discursando nas suas redes sociais.

"Todos, sem exceção, têm que ser patriotas e acreditar e fazer a sua parte para que nós possamos colocar o Brasil no lugar de destaque que ele merece. Acabou a época da patifaria. É agora o povo no poder", acrescentou Bolsonaro durante a manifestação.

Em outras partes do Brasil, os atos aconteceram em São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Maceió, Goiânia, Salvador, Manaus, Goiânia e Recife.

No sábado (18), houve carretas em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Niterói.

Brasil soma 2.462 mortes pela COVID-19

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o isolamento social para diminuir a velocidade de propagação da COVID-19. O Ministério da Saúde, até o momento, vem pedindo para a população respeitar o distanciamento, embora o presidente defenda a reabertura do comércio.

Segundo o último boletim do ministério, divulgado neste domingo, o Brasil tem 2.462 mortes e 38.654 casos do novo coronavírus.(Sputnik Brasil)



O ministro do STF Luís Roberto Barroso
Ato em Brasília pede intervenção militar