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PF apura se houve crime contra Lei de Segurança Nacional em ameaças a Bolsonaro

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A Polícia Federal realizou neste domingo (1º) uma operação como parte de um inquérito sobre ameaças feitas em redes sociais contra o presidente Jair Bolsonaro.

Dois mandados judiciais de busca e apreensão foram cumpridos em duas cidades mineiras, Três Corações e Alfenas. 

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Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

A PF apura se houve crime contra a Lei de Segurança Nacional. A pena seria de 3 a 10 anos de reclusão, e a investigação está sob sigilo.

Segundo uma nota da assessoria da polícia divulgada nesta segunda (2), o inquérito teve início na última sexta-feira (29) após um homem ser preso.

De acordo com informações da PF, o investigado usou redes sociais para publicar fotos e vídeos sobre um suposto plano que visava atentar contra Bolsonaro.

Na data das postagens, o presidente estava em Três Corações, em visita oficial à Escola de Sargentos das Armas (ESA) para a formatura de 573 sargentos combatentes. O suspeito trabalhava como terceirizado na ESA e apareceu em alguns dos vídeos publicados na internet.

Aos formandos, Bolsonaro afirmou que, no passado, "nós lutamos por democracia e por liberdade e que, no futuro, se preciso for, daremos a nossa vida para que essa democracia e para que essa liberdade nunca deixe de existir entre nós".

Em Três Corações, o presidente disse ainda que o país "respira novos ares, ares de democracia e de liberdade".

As ameaças contra Bolsonaro ganham uma atenção ainda maior pelo fato de ele já ter sido vítima de um atentado em 2018.

Ainda como candidato, em setembro daquele ano, sofreu um atentado à faca em Juiz de Fora (MG), quando participava de um evento da campanha eleitoral.

Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada, está preso na Penitenciária Federal de Campo Grande.

Em seu último depoimento à Polícia Federal, em outubro, Adélio disse que se recusa a fechar acordo de delação premiada porque não tem nada a falar além do que já relatou. Ele manteve a versão de que agiu sozinho e negou que o atentado tenha sido encomendado.

O delegado da PF Rodrigo Morais, que ouviu Adélio, também tomou o depoimento de um interno da penitenciária que disse ter ouvido o autor da facada em Bolsonaro confessar que teria conexões com uma facção criminosa e com políticos.

O preso é o iraniano Farhad Marvizi, que enviou uma carta ao presidente narrando ter dados que poderiam ajudar a esclarecer o episódio. O informante, no entanto, é considerado pelos investigadores uma fonte de baixa credibilidade, por ser afeito a contar histórias mirabolantes.

No depoimento, Marvizi disse que ouviu os detalhes do próprio Adélio, num período em que estiveram juntos na ala médica da penitenciária, mas avisou que só contará o que sabe em troca de perdão judicial do presidente da República.

O iraniano afirmou que o esfaqueador recebeu a promessa de ganhar R$ 500 mil para matar o então presidenciável, mas não revelou quem seria a pessoa responsável pelo pagamento.

O candidato a colaborador não citou até agora nenhum nome de facção ou de político supostamente ligado ao atentado nem indicou ter provas. A suspeita de envolvimento do PCC (Primeiro Comando da Capital) no caso já foi derrubada pelos policiais.

Diante do pedido para entregar dados concretos que pudessem corroborar sua versão, Marvizi falou que não pode dizer mais nada e que teme ser morto.

A PF descartou aceitar algum tipo de acordo com o estrangeiro, por desconfiar da veracidade de suas palavras. O iraniano tem o hábito de mandar correspondências para personalidades --já teria escrito ao apresentador Silvio Santos e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A investigação sobre a facada está em andamento. Não há, até o momento, nenhum indício de que Adélio tenha contado com algum mandante ou tenha recebido dinheiro para cometer o crime. 

Bolsonaro e seus advogados, no entanto, mantêm o discurso de que a tentativa de homicídio foi cometida por ordem de alguém. (FolhaPress SNG)