Alvo de fake news, ex-ministro Santos Cruz defende perícia sobre milícias digitais

Uma dos primeiros alvos da máquina de moer aliados que virou o governo Bolsonaro, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz defende uma perícia para identificar os responsáveis pela existência de uma suposta “milícia digital” ligada ao Palácio do Planalto.

“Sobre comportamento de uma milícia na internet e nas redes sociais, mais do que uma opinião, uma análise de peritos qualificados pode trazer dados mais concretos”, declarou à reportagem.

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Ministro-Chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República Santos Cruz (Foto: Carolina Antunes/PR)

Santos Cruz, que ocupava o cargo de ministro da Secretaria de Governo, foi demitido em junho após um longo processo de atrito com o chamado núcleo ideológico do governo, capitaneado pelo filósofo Olavo de Carvalho.

A exemplo da ex-líder do governo Joice Hasselmann (PSL-SP), Santos Cruz se diz vítima de ataques coordenados em redes sociais, que incluiriam fake news. Ele atribui a isso, em parte, sua queda.

“O que aconteceu comigo é público. Foi fabricado um diálogo falso, em que eu e um interlocutor falávamos mal do presidente e de seus filhos”, afirmou. Ele se refere a uma conversa falsa divulgada nas redes sociais em maio, em que criticaria Bolsonaro e um dos filhos do presidente (não especificado).

O ex-ministro entrou na lista de possíveis testemunhas da CPI das Fake News e deixou claro que irá caso seja chamado. “Qualquer cidadão ou autoridade, quando chamado por uma comissão de parlamentares, tem obrigação de responder e prestigiar a solicitação. Se for convidado, falo sobre minha experiência pessoal, sem suposições”, disse.

Ele diz, no entanto, não ter informações sobre a existência de um “gabinete do ódio” no Palácio do Planalto, formado por três assessores presidenciais.

Na segunda (21), Santos Cruz foi criticado no Twitter pelo vereador Carlos Bolsonaro, por dizer que foi alvo de uma milícia digital. “Quem seria essa milícia digital a que este tal Santos Cruz se refere? Mais um (x) revoltad (x)!”. O general limitou-se a responder com um “#semcomentários”. (Fábio Zanini/Folhapress)