Protesto de motoristas de ônibus para corredores e terminais em SP; haverá greve sexta

Ao menos 21 dos 29 terminais de ônibus de São Paulo foram bloqueados na tarde desta quinta-feira (5) durante um protesto de motoristas e cobradores. Corredores de ônibus na avenida 23 de Maio, na avenida 9 de Julho e na rua da Consolação também estão travados, com consequências nas estações de metrô, no preço dos carros por aplicativo e no trânsito na hora do rush. Uma greve foi convocada para esta sexta-feira (6), a partir de 0h. Os motoristas afirmam, porém, que vão voltar ao trabalho por algumas horas nesta quinta para que a população possa retornar para casa.

O alvo do protesto é a gestão Bruno Covas (PSDB), que anunciou que vai cortar linhas e reduzir a frota de ônibus, o que alimenta temor de demissões. Manifestantes também cobram o pagamento de participação nos lucros das empresas de ônibus.

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Tarifa básica vai passar de R$ 4 para R$ 4,30 (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

O protesto causou fortes reflexos no trânsito da cidade, que registrava, às 17h, 112 quilômetros de vias congestionadas —a média para esse horário é de até 95 km de congestionamento.

Segundo a prefeitura de São Paulo, os terminais fechados são Bandeira, Princesa Isabel, Mercado e Parque Dom Pedro, no centro; Santana (zona norte); A.E. Carvalho e São Miguel (na zona leste); Campo Limpo; Capelinha; Jardim Ângela, Santo Amaro, Varginha e Sacomã (zona sul) e Lapas e Pinheiros (zona oeste). A prefeitura ainda confirmaria quais eram os outros seis.

Por causa da superlotação causada no metrô, a Linha 4-Amarela decidiu fechar parcialmente a saída da estação Pinheiros, que desemboca no terminal.

Apesar dos terminais travados, segundo Valmir da Paz, presidente em exercício do sindicato da categoria, São Paulo passou nesta quinta-feira (5) "apenas por um protesto" que contou com cerca de 60% dos trabalhadores.

A manifestação estava marcada para a manhã, em frente à prefeitura, segundo o sindicato que representa a categoria. Os motoristas e cobradores decidiram pelo protesto em assembleia na quarta-feira (4), quando sindicalistas disseram que queriam parar a cidade.

Mas ganhou força apenas à tarde, quando motoristas bloquearam a 9 de Julho e a paralisação passou a afetar outras vias. Os ônibus são o meio motorizado que mais transporta passageiros em São Paulo.

Por volta das 12h30, os manifestantes fecharam o Terminal Bandeira, no centro da cidade. As auxiliares de enfermagem Laís Vieira, 25, e Priscila Vieira, 33, estavam juntas em um ônibus com destino ao terminal, de onde iriam para a rua 25 de Março. Mas o cobrador alertou que estava tudo parado, Priscila pediu para descer. Tentaria pegar outro ônibus na avenida Paulista.

Por volta das 12h30, os manifestantes fecharam o Terminal Bandeira, no centro da cidade. As auxiliares de enfermagem Laís Vieira, 25, e Priscila Vieira, 33, estavam juntas em um ônibus com destino ao terminal, de onde iriam para a rua 25 de Março. Mas o cobrador alertou que estava tudo parado, Priscila pediu para descer. Tentaria pegar outro ônibus na avenida Paulista.

No Terminal Parque Dom Pedro, região central, o movimento era intenso de passageiros que chegavam para pegar o ônibus e eram surpreendidos com a paralisação por volta de 13h30.

"Estou enroscada. Nem sei o que fazer nem para onde ir. Ainda bem que deixaram a gente ficar aqui dentro. Está mais quentinho", diz a dona de casa Maria das Graças da Silva Sousa, 38, que passou por perícia médica no posto do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social) e tinha de retornar para casa na região do Aricanduva (zona leste) e chegou ao terminal por volta das 12h.

A pressão dos trabalhadores ocorre enquanto a prefeitura tenta tirar do papel a licitação do novo sistema de ônibus da capital. O processo se arrasta desde 2013 e, no último mês, a gestão Covas sofreu uma derrota quando a Justiça decidiu que o prazo dos contratos, que chegaram a ser licitados, estava irregular.

A discussão na Justiça é se os contratos devem ter 15 ou 20 anos. Uma lei municipal prevê 15 anos. Mas a Câmara Municipal, atendendo à pressão de empresários de ônibus, aumentou o prazo para 20 anos. A alteração foi feita pela emenda em um projeto de lei que versava sobre outro tema. Em primeira e segunda instância, a Justiça decidiu que a alteração era ilegal. A prefeitura estuda agora como recorrer da decisão.

Enquanto o caso corria, a prefeitura firmou um acordo com os donos de ônibus de São Paulo para que passassem a vigorar as regras dos contratos que já haviam sido licitados e que estavam travados na Justiça. O acordo só foi possível porque as antigas empresas do ramo são exatamente as mesmas que venceram os novos contratos na licitação.

As novas regras dão conta de uma reorganização dos ônibus pela cidade, o que inclui o corte de linhas e frota de ônibus. A antiga frota da cidade tinha 13.600 veículos. Os novos contratos preveem 12.700. O sindicato dos motoristas e cobradores calcula que 450 ônibus já saíram de circulação.

A prefeitura defende que um novo desenho de linhas na cidade é necessário para trazer mais eficiência e menor custo. O órgão diz ainda que, apesar do cortes de ônibus, aumentará a oferta de lugares disponíveis nos veículos. (Fabrício Lobel/Folhapress)