Líder do governo diz que Bolsonaro pode vetar projeto que restringe indicação política em agências

O presidente Jair Bolsonaro poderá vetar o projeto que restringe indicações políticas em agências reguladoras, afirmou nesta segunda-feira a líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP).

Para a líder, a proposta --que foi motivo de crítica do presidente ao Congresso no sábado-- "em si não é ruim", mas Bolsonaro tem o direito de vetar como presidente.

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Presidente da República, Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR)

"Pode não ser perfeito, mas ele cria ali alguns critérios de seleção, faz uma peneirada antes da composição da lista tríplice antes do presidente escolher. Mas é um direito do presidente vetar. Se ele vetar, vamos trabalhar para manter o veto", afirmou ela, em entrevista na saída de uma reunião com Bolsonaro, ministros e líderes partidários.

No fim de semana, Bolsonaro sugeriu que o Parlamento estaria tentando transformá-lo em “rainha da Inglaterra” ao aprovar projeto que limita as indicações políticas para agências reguladoras.

Mais cedo nesta segunda-feira, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que o Congresso não tem a intenção de reduzir as atribuições do presidente. “Ninguém está querendo suprimir o papel do presidente da República, nem as suas prerrogativas. Até porque tem muitos projetos que nós dependemos do Poder Executivo”, afirmou.

A líder do governo minimizou a contenda de declarações públicas entre Bolsonaro e Maia. "Sensação que dá é que uma brisa vira pneumonia", disse.

MORO NA CÂMARA

A líder do governo no Congresso afirmou também na entrevista que considera "dispensável" uma nova ida do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, ao Congresso, desta vez na Câmara, para prestar esclarecimentos sobre supostas trocas de mensagens com procuradores da Lava Jato enquanto era o principal juiz da operação.

Moro adiou participação em audiência na Câmara prevista para quarta-feira em decorrência de viagem oficial aos EUA, informou o Ministério da Justiça e Segurança Pública nesta segunda-feira.

"Sinceramente é dispensável", afirmou Joice, ao ressalvar que é uma decisão do Parlamento e que o ministro irá cumprir, caso tenha mesmo de comparecer. Para ela, uma nova audiência vai ser "mais do mesmo".

A líder defendeu que se consiga apaziguar um pouco o caso envolvendo Moro, e que qualquer tentativa de convocação para ele ir à Câmara --que passou a ser defendida pela oposição após a recusa de comparecer esta semana-- seja transformada em convite.

(Por Ricardo Brito)