Milhares se reúnem em ato unificado pela educação em Belo Horizonte

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A praça da Estação e seu entorno, em Belo Horizonte, foi ponto de encontro de milhares de pessoas no ato contra os cortes do MEC (ministério da Educação). Estudantes, professores e técnicos da UFMG encontraram alunos dos institutos federais e outros trabalhadores da educação. As manifestações desta quarta-feira (15) em todo o país ocorrem após o anúncio de cortes e bloqueios pelo ministério da Educação no governo Jair Bolsonaro.

Nos cartazes, manifestantes carregavam dizeres como "Mais livros, menos armas" e "A revolução se faz com estudantes". Houve ainda gritos de apoio à UEMG, a universidade estadual, e contra o governo de Romeu Zema (Novo).

A mestranda em Geologia da UFMG, Úrsula Roxanne, 26, sentou no meio da rua em frente à estação com um cartaz dizendo: governo sem educação.

A jovem entrou este ano no curso e conta que viu as bolsas diminuírem. Ela mesma está com a situação incerta desde os cortes anunciados pela Capes, sem saber se irá receber ou não.

"Eu conto muito com essa bolsa porque preciso viajar pelo estado para fazer pesquisa de campo, em uma área no Alto Jequitinhonha, e sem a bolsa fica inviável. Estou sem saber o que vou fazer", diz ela.

Celia Xakriabá, 30, única indígena cursando doutorado atualmente na UFMG, também está à espera de ter sua bolsa liberada. Segundo ela, há 120 estudantes indígenas na licenciatura, 20 em cursos de bacharelado e 8 na pós-graduação, na instituição.

Célia é mestre em desenvolvimento sustentável pela UnB e começou este ano o doutorado em Antropologia. "Eu acredito que toda luta é epistêmica, porque não há processo de luta que não gere conhecimento", afirma ela, ao responder o porquê de ir às ruas hoje.

Caio de Castro, 21, estuda arquitetura no Instituto Federal de MG há três anos. No final de 2017, os institutos já sofreram com cortes, lembra ele.

"Ficamos sem Wi-Fi, papel higiênico, sabonete. Ficamos um tempo sem, mas voltou. Com esses cortes, temos medo de tirar as mesmas coisas e auxílio de quem precisa, com moradia e transporte. Ou de fechar o IF", avalia ele.

Entre os cartazes, há bandeiras de partidos de esquerda e com dizeres como "Lula livre" e "Brizola vive". Depois do encontro na praça a marcha unificada segue em direção à praça Sete.

FERNANDA CANOFRE