Fala de ministro sobre bloqueio de 3,4% é imprecisa

O argumento do ministro da Educação, Abraham Weintraub, de que os bloqueios de recursos nas universidades federais é de 3,4% considera valores que não são passíveis de congelamento, como salários, e contraria pronunciamentos da própria pasta.

O orçamento total autorizado de todas as universidades federais em 2019 foi de R$ 49,6 bilhões. Desse total, há gastos obrigatórios, como a folha de pagamento, e outros gastos chamados de discricionários –esses, sim, sujeitos a corte. Nas universidades, o orçamento discricionário total soma R$ 6,9 bilhões.

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Ministro Abraham Weintraub (Foto: Andre Sousa/MEC)

Com a ordem de contingenciamento vinda da área econômica, o bloqueio de recursos nas universidades federais atingiu R$ 2 bilhões. Esse congelamento representa, portanto, 30% dos recursos discricionários.

Esse cálculo do bloqueio sobre os recursos discricionários foi defendido pelo próprio ministro e pelo MEC em comunicados à imprensa.

Ao jornal O Estado de S.Paulo, Weintraub disse que três universidades teriam cortes de 30% porque teriam o que ele chamou de balbúrdia. Após má repercussão, a pasta disse que esse corte seria aplicado a todas instituições.

No mesmo dia, o MEC passou a usar o percentual de 3,4%. Na conta apresentada por Weintraub na quinta (9), na qual ele usou chocolates, o bloqueio de R$ 2 bilhões nas federais é comparado com o orçamento total, de R$ 49,6 bilhões –ou seja, 3,4%.