Espero que plenários da Câmara e do Senado mantenham Coaf na Justiça, diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro afirmou na noite desta quinta-feira, em transmissão feita por redes sociais, que espera que os plenários da Câmara dos Deputados e do Senado mantenham o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) na estrutura do Ministério da Justiça, horas após a comissão mista que analisa a reforma administrativa do governo ter mandado esse órgão para a alçada do Ministério da Economia.

"Hoje em comissão especial, que analisa a medida provisória sobre reestruturação do governo, uma das medidas tomadas pela comissão --falta ser referendada pelo plenário, o que pode não acontecer-- acabou pegando o Coaf lá do ministro Sérgio Moro e mandando para o Ministério da Economia", disse.

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Presidente Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

"A gente espera que os plenários da Câmara e do Senado mantenham o Coaf lá com o Ministério da Justiça nas mãos do ministro Sérgio Moro, porque é uma ferramenta muito forte para combater a lavagem de dinheiro, corrupção, entre outras medidas", completou.

Bolsonaro fez questão de ressaltar que a decisão da comissão mista pode ser revertida pelos plenários das duas Casas legislativas.

Pouco antes do aparecimento do presidente nas redes sociais, o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, havia dito que a decisão da comissão não é uma derrota de Moro ou do próprio Bolsonaro.

"Eu gostaria também de explicar o posicionamento do nosso presidente, não entendendo tratar-se de derrota de qualquer que seja o ministro ou, em particular, do próprio presidente. É uma decisão soberana daquele Casa e o próprio presidente, democrata que é, aceita in totum", disse Barros, em briefing à imprensa na noite desta quinta-feira.

Rêgo Barros havia afirmado que cabia ao Parlamento aprovar ou não as modificações e que também cabia à população vocalizar sua opinião junto aos parlamentares.

O porta-voz disse ainda que o governo não "cruza os braços" quando se trata de lutar por aquilo que acredita. Em relação à mudança do Coaf e também a volta da Funai para o Ministério da Justiça, ele afirmou ainda que vai analisar qual a decisão a tomar, se manter a posição inicial ou se adequar à decisão "natural e soberana" do Congresso.