CCJ: Deputados da oposição discutem com Paulo Guedes

Francischini chegou a exigir que os colegas mantivessem decoro durante a audiência: 'isso não é briga de rua'

Uma troca de farpas entre o ministro da Economia Paulo Guedes e os deputados na oposição marcaram a audiência pública na CCJ da Câmara dos Deputados, na tarde desta quarta-feira (3). 

O clima ficou tenso quando o ministro disse que a Previdência é uma “fábrica de desigualdades” e citou os exemplos dos estados de Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, e Minas Gerais, que já enfrentam há alguns anos dificuldades para pagar salários de servidores e aposentados.

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Paulo Guedes na audiência pública sobre a reforma da Previdência (Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados)

Nesse momento, ele foi aparteado por parlamentares de oposição – que citaram o sistema previdenciário chileno, cuja previdência social, com sistema de capitalização (similar ao proposto por Guedes), paga benefícios pequenos. Na proposta do ministro, porém, está assegurado ao menos um salário mínimo de benefício.

O ministro, então, respondeu aos deputados de oposição: “Chile, US$ 26 mil de renda per capita, quase o dobro do Brasil. Acho que a Venezuela está bem melhor”, disse, em tom irônico.

“Eu vou falar na hora em que você falar também. Fala mais alto do que eu. Fala alto. Eu não estou ouvindo. A palavra é dos senhores”, disse.

O bate boca entre o ministro e os deputados tomou alguns minutos. Em seguida, Paulo Guedes fez um meia culpa e pediu desculpas e firmou ter cometido o erro de responder aos deputados. "Eu cometi um erro sério, eu tentei responder uma colocação e me aconselharam a não responder, disseram não reaja, mas eu tentei responder a  uma indagação de Gleisi (Hoffman, deputada e presidente do PT), mas tentei ser atencioso e respondi".

Ele ainda complemetou: "sou muito respeitoso" e explicou a falta de familiaridade com o ambiente da Câmara. "Os senhores poderiam considerar que eu posso cometer erros. Eu cometi o erro de interagir, eu só deveria ter falado. Então, eu não vou interagir”, afirmou.

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Felipe Francischini (PSL-PR) chegou a pedir que os colegas mantivessem decoro durante a audiência: "Deputados, eu vou exigir respeito nessa comissão, isso não e briga de rua, mantenham o decoro". 

Após explicar o projeto do governo, em tom de ironia Guedes deixou claro: "Não cabe a mim entrar no debate politico e sim explicar questões técnicas, não preciso me exaltar"

Ao encerrar, Paulo Guedes defendeu sistema de capitalização individual

O ministro da Economia, Paulo Guedes, encerrou sua fala inicial em debate sobre a reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Ele defendeu a adoção de um sistema de capitalização individual. No texto encaminhado pelo governo (PEC 6/19), cada futuro trabalhador terá uma conta para depositar suas contribuições para aposentadoria.

Guedes comparou o sistema atual, de repartição simples – os trabalhadores pagam os benefícios dos aposentados –, a um avião sem combustível que se dirige para alto-mar. Ele disse ser apenas um equacionador, que elaborou uma proposta sobre a qual cabe ao Congresso decidir “se colocaremos nossos filhos e netos nesse avião”.