Morre no hospital de Roraima o indígena venezuelano baleado em tumultos por ajuda

Um indígena venezuelano da etnia pemon morreu neste sábado (2) no hospital em Boa Vista, Roraima, perto da fronteira com a Venezuela, onde foi internado após sofrer graves ferimentos por disparos há uma semana durante distúrbios pelo bloqueio à entrada de ajuda internacional, informou uma ONG.

Trata-se de Rolando García, de 51 anos, da comunidade Kumaracapay, no estado de Bolívar (sul da Venezuela), assinalou a Foro Penal, uma organização crítica do governo de Nicolás Maduro.

Com ele, são seis os mortos durante os distúrbios ocorridos nessa comunidade e na população de Santa Elena de Uairén (também em Bolívar), em 22 e 23 de fevereiro, quando indígenas pemon tentaram impedir o bloqueio por parte de militares da fronteira com o Brasil para que entrasse um lote de ajuda internacional gerido pelo líder opositor, Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por mais de 50 países.

García era marido de Zoraida Rodríguez, uma das primeiras falecidas nesses tumultos, e trabalhava como guia na Gran Sabana.

Em 27 de Fevereiro havia morrido outro indígena pemon venezuelano, Klíver Alfredo Pérez Rivero, no mesmo hospital de Boa Vista, para onde foram transferidos 20 pessoas gravemente ferida pelos ocorridos do fim de semana passado.

Nesses dois dias houve 50 feridos por disparos em confrontos dos quais participaram militares e civis armados, afins ao governo, nos povoados próximos à fronteira com o Brasil e em cidades vizinhas com a Colômbia, onde também foi fechada a fronteira, indicou a ONG.

O escritório do alto comissariado das Nações Unidas para os direitos humanos cifrou em 300 o número total de feridos.

Maduro rejeitou a ajuda internacional por considerá-la um pretexto para uma invasão militar na Venezuela liderada pelos Estados Unidos.

 

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