Explicação sobre polêmicas no Senado

A polêmica sobre a filmagem de alunos cantando o Hino Nacional deve esquentar ainda mais a audiência de Ricardo Vélez na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado. Convidado pelo presidente da CE, Dário Berger (MDB-SC), para "apresentar as diretrizes e os programas prioritários da sua pasta", o ministro, um dos mais conservadores do governo Bolsonaro, será questionado por integrantes da comissão sobre declarações polêmicas que vem dando desde que assumiu o cargo.

>> Ordem unida nas escolas, com direito a hino e alunos filmados

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Ricardo Vélez: o ministro da Educação coleciona polêmicas e irá se explicar hoje a senadores (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A que mais causou reação nas redes sociais e no Congresso foi dita em entrevista à revista Veja. Ao justificar a necessidade das aulas de educação moral e cívica no país, ele respondeu que "o brasileiro viajando é um canibal. Rouba coisas dos hotéis, rouba o assento salva-vidas do avião; ele acha que sai de casa e pode carregar tudo". A entrevista foi publicada no dia primeiro de fevereiro, mas somente no dia 18, após ser notificado pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), para esclarecer o que disse, pediu desculpas nas redes sociais.

"Amo o Brasil e o nosso povo, de forma incondicional, desde a minha chegada aqui, em 1979 e, especialmente, desde a minha naturalização como brasileiro, em 1997. A entrevista à revista Veja colocou palavras minhas fora de contexto. Peço desculpas a quem tiver se sentido ofendido", disse ele pelo Twitter.

Pedido insuficiente

O pedido de desculpas, no entanto, não foi suficiente para que os parlamentares deixassem de querer entender o sentido do que falou. Além de CE, aguarda para ser votado no Plenário da Câmara o requerimento para que o ministro formalize o pedido de desculpas da tribuna da Casa. O autor do pedido, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) conseguiu mais que o número mínimo necessário de assinaturas para colocar o requerimento em votação. Segundo o regimento, são necessários 171 votos.

Entre os assuntos que devem ser ponto de arguição ao ministro da Educação pelos senadores está a carta enviada ontem, pedindo que as escolas toquem o Hino Nacional e leiam uma carta assinada por Ricardo Vélez na abertura do ano letivo. Ele também deve ser indagado sobre o combate ao "marxismo cultural" e à "ideologia de gênero", citado em seu discurso de posse. "É preciso combater o que se denominou de ideologia de gênero, com a destruição de valores culturais, da família, da igreja, da própria educação e da vida social", disse ele no discurso.

Outro ato ministerial que deu o que falar foi a nota oficial do MEC apontando que o jornalista Ancelmo Gois viveu em Moscou na década de 60, com identidade falsa e insinuando que o jornalista trabalhava para a KGB, o serviço secreto da União Soviética. A nota respondia a uma publicação de Ancelmo Gois dizendo que o site do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) havia tirado do ar vídeos da "TV Ines" que contavam a história de pensadores como Karl Marx, Friedrich Engels, Marilena Chauí, Antonio Gramsci e Friedrich Nietzche.

O Plano Nacional de Educação (PNE) para o período 2014-2024, gestado durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, também será foco de discussão. Elaborado com ampla participação de entidades ligadas a professores e alunos, o Plano propõe uma política nacional de educação que contraria o viés ideológico que atualmente governa o Brasil.

Indicado pelo filósofo Olavo de Carvalho, conhecido como o guru da família Bolsonaro, o ministro colombiano também deve falar sobre a Medida Provisória que cria, no Brasil, a "homescholing" ou escola doméstica, da qual ele é entusiasta. Segundo a ministra Damares Alves, da Mulher, Família e Direitos Humanos, a MP será publicada nos próximos dias.