Ordem unida nas escolas, com direito a hino e alunos filmados

Na véspera de ir ao Congresso, Vélez causa nova polêmica ao exigir vídeo e leitura de carta com slogan do governo

O Ministério da Educação (MEC) mandou, ontem, para todas as escolas do país, uma mensagem por e-mail pedindo que as crianças sejam perfiladas para cantar o Hino Nacional e que o momento seja gravado em vídeo que deverá ser enviado para o governo.

O e-mail pede, ainda, que seja lida para os estudantes uma carta do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, que termina com o slogan do governo "Brasil acima de tudo. Deus acima de todos".

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Ricardo Vélez: o ministro da Educação coleciona polêmicas e irá se explicar hoje a senadores (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

"Prezados Diretores, pedimos que, no primeiro dia da volta às aulas, seja lida a carta que segue em anexo nesta mensagem, de autoria do Ministro da Educação, Professor Ricardo Vélez Rodríguez, para professores, alunos e demais funcionários da escola, com todos perfilados diante da bandeira do Brasil (se houver) e que seja executado o hino nacional", diz o texto.

A carta foi enviada para escolas públicas e particulares do país. "Isso é ilegal, o MEC não tem competência para pedir nada disso às escolas", diz o diretor da Associação Brasileira de Escolas Particulares (Abepar), Arthur Fonseca Filho.

Diretores de escolas ficaram chocados com conteúdo da carta, principalmente porque pede para que as crianças sejam filmadas. Muitos chegaram a pensar que se tratava de fake news ou vírus enviado por e-mail.

"Solicita-se, por último, que um representante da escola filme (pode ser com celular) trechos curtos da leitura da carta e da execução do hino nacional. E que, em seguida, envie o arquivo de vídeo (em tamanho menor do que 25 MB) com os dados da escola", diz o corpo do e-mail. Fonseca Filho disse ainda que as escolas não tem autorização para enviar imagens de seus alunos para o governo.

Anexada, o MEC enviou uma carta assinada pelo ministro, que, segundo a recomendação, deveria ser lida aos estudantes. Procurada, a assessoria de imprensa do ministério informou que a carta é apenas uma recomendação e não uma ordem. (com Estadão Conteúdo)