Alcolumbre ironiza o 'banco de talentos' do governo Bolsonaro: 'Será que antes as pessoas não tinham competência?'

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), ironizou o termo "banco de talentos", cunhado pelo governo Bolsonaro para definir o método como serão selecionados os nomes indicados para ocupar cargos no segundo e terceiro escalões da administração federal. Em café da manhã com jornalistas, ontem, ao ser perguntado se considerava uma nova fórmula ou se seria a mesma indicação política de sempre, ele afirmou ser a mesma coisa.

"Só colocaram outro nome: banco de talentos. Será que no outro modelo as pessoas não tinham talentos? As pessoas também tinham talento antes", brincou.

Em outro momento, no entanto, Alcolumbre elogiou a fórmula criada pelo Executivo e disse que não vê como o retorno do "toma lá, dá cá", criticado pelo presidente durante a campanha. "Isso é uma construção. O parlamentar que achar que precisa - para compor e apoiar um projeto como esse (reforma previdenciária) ou qualquer outro - ser contemplado na sua base, tem legitimidade de falar o que pensa. O governo tem que saber se quer ou não o apoio daquele parlamentar", disse.

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Presidente do Senado recebeu jornalistas para um café da manhã e disse: "prestigiar parlamentar no estado não é troca-troca" (Foto: Jonas Pereira/Agência Senado)

Para ele, o modelo proposto por Bolsonaro não representa fisiologismo e qualificou como um modelo novo de escolha de nomes para cargos. "Mudou-se uma coisa de 30 anos. Não dá para cobrar de um partido 'vota aí porque tem um ministério aí'. Mas acho que a questão da relação de prestigiar parlamentar no estado não é troca-troca", defendeu.

O banco de talentos, a ser lançado na próxima semana, segundo o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, foi prometido pelo Presidente Jair Bolsonaro em reunião com aliados insatisfeitos com a distribuição e exoneração de cargos em alguns estados sem que houvesse diálogo com as bancadas. A ideia, com a catalogação de nomes é que parlamentares aliados repassem para o governo nomes e currículos para ocuparem os cargos, sendo considerado, assim, os critérios técnicos e ideológicos. Estes nomes, então, seriam submetidos aos ministros, que bateriam o martelo.

Na primeira reunião ministerial, no dia 3 de janeiro, Lorenzoni anunciou que o governo trocaria todos os cargos em comissão da administração pública, incluindo os de segundo e terceiro escalão. À época, o ministro afirmou que as novas contratações obedeceriam "a uma sintonia com o governo federal e, quando forem autorizadas as decisões sobre preenchimentos de cargos, quem vai dar a palavra final é o ministro da pasta".Lorenzoni disse ainda, na ocasião, que as trocas seriam "para desaparelhar e permitir que o governo Bolsonaro possa executar suas políticas".

Depois de iniciadas as exonerações, lideranças políticas da própria base do governo, insatisfeitas, logo reclamaram - alguns dizendo que aliados estavam sendo exonerados e outros que as novas contratações não agradavam. O que se viu, em seguida, foi a total ausência de suporte ao governo no Congresso, que incluiu a derrubada do decreto que modificou a Lei de Acesso à Informação, assinado no final de janeiro pelo presidente em exercício Hamilton Mourão.

No início de fevereiro, Lorenzoni anunciou a suspensão de nomeações e demissões até que Bolsonaro retornasse do hospital. Agora, os partidos reclamam porque a interrupção nas nomeações prejudica a formação da base a aliada no Congresso.