PF revista propriedades de Aloysio Nunes e prende presidente da CNI

A Polícia Federal (PF) revistou nesta terça-feira propriedades ligadas ao ex-ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes (2017-2018) e prendeu preventivamente o presidente da poderosa Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, em duas operações anticorrupção.

A operação de busca na propriedade de Aloysio Nunes ocorre no âmbito de uma nova fase da Operação Lava-Jato, a 60ª.

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O ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes Ferreira durante assinatura de atos e declaração à imprensa, após a I Reunião do Diálogo Político-Militar Brasil-Chile. (Foto: Arquivo/Agência Brasil)

Principal alvo da operação, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto (PSDB), foi detido também nesta terça.

Segundo comunicado, a PF investiga "a existência de um complexo e sofisticado método" de lavagem de dinheiro entre 2010 e 2011 através de transferências feitas por Paulo Preto para a Odebrecht que chegam a R$ 100 milhões.

A investigação também aponta para "transações ilícitas" entre os investigados a partir de 2007, entre as quais está uma de 275 mil euros feita pela Odebrecht para uma conta controlada por Paulo na Suíça.

 

É aí que entra o nome de Aloysio, de 73 anos, chanceler do governo de Michel Temer (2016-2018) e senador por São Paulo até o fim deste mandato.

De acordo com a PF, a partir desta conta de Paulo Preto foi solicitada a emissão de um cartão de crédito em nome do ex-chanceler, que deveria ser entregue em um conhecido hotel no centro de Barcelona, na Espanha, em dezembro de 2007.

Em declarações à Globo, ele negou qualquer envolvimento no suposto esquema da Odebrecht.

"Não recebi esse cartão de crédito", declarou.

À época, Aloysio era secretário chefe da Casa Civil do estado de São Paulo, quando José Serra (PSDB) era governador. Atualmente, ele preside a agência de promoção de investimentos no estado, a InvesteSP.

A PF lançou outra operação na primeira hora da manhã no âmbito de uma investigação de fraudes milionárias em contratos com o Ministério de Turismo.

A ação, com 200 agentes, executou dez ordens de prisão temporária e 40 operações de busca e apreensão em sete estados.

Entre os presos, está Robson Andrade, líder da CNI.

De acordo com a PF, os presos são suspeitos de participar, desde 2002, de um esquema fraudulento por meio do qual um grupo de empresas, controladas por uma mesma família - cuja identidade não foi revelada - se beneficiou de contratos com o Ministério do Turismo no valor de R$ 400 milhões.

O Ministério do Turismo afirmou que os contratos investigados foram assinados "durante as gestões" de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (2003-2016) e mostrou sua disposição de colaborar com a investigação.

Em comunicado, a CNI disse que tinha sido informada da prisão de Andrade e garantiu que "tudo será devidamente esclarecido".