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Confederação sindical troca Brasil por Uruguai por hostilidade do governo

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A Confederação Sindical das Américas (CSA) trocou o Brasil pelo Uruguai e inaugurou uma nova sede regional nesta segunda-feira (18), em Montevidéu, devido à nova legislação trabalhista e à hostilidade a grupos sociais do governo do presidente Jair Bolsonaro, em busca de um marco mais amigável para a atividade sindical.

Com um ato na Ciudad Vieja, bairro do centro de Montevidéu, foi inaugurada a nova sede regional da CSA, em um casarão antigo desta zona histórica da capital uruguaia, que foi doado pela fundação alemã Friedrich Ebert, vinculada ao Partido Social-democrata alemão.

O secretário de Política Econômica e Desenvolvimento Sustentável da CSA, o brasileiro Rafael Freire, disse à AFP que "a decisão foi adotada porque precisávamos buscar um país com uma institucionalidade democrática e legal firme para a ação sindical regional sem problemas, ameaças e pressões políticas".

"O ambiente político no Brasil é muito complicado porque a mensagem do novo governo claramente cria um clima desfavorável para a ação sindical integrada. Isso torna mais difícil nossa atividade e por isso escolhemos o Uruguai para nos instalar", destacou Freire.

Entre os destaques que a CSA citou sobre a situação no Brasil estão a atitude hostil do governo Bolsonaro aos movimentos sociais e seus dirigentes, assim como as recentes leis de profundas reformas trabalhistas aprovadas no país vizinho, que considera uma violência contra os trabalhadores.

No palanque montado ao lado da casa, representantes sindicais de Brasil, Argentina, Peru, México e países europeus, como Itália ou Alemanha, foram recebidos com um grande cartaz com a inscrição "Bem-vindo(a)s Companheiro(a)s da CSA ao Uruguai".

Estiveram presentes ao ato dirigentes da central sindical uruguaia Pit-Cnt, alguns dirigentes de esquerda e até o ministro do Trabalho, Ernesto Murro, da coalizão governista Frente Ampla (FA, esquerda).

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