Simone Tebet ameaça favoritismo de Renan

À medida em que cresce a campanha anti-Renan nas ruas, diminui o número de senadores emedebistas que defendem a manutenção da candidatura do senador alagoano para a presidência do Senado. O movimento contrário ao nome de Renan Calheiros (MDB-AL) invadiu as redes sociais esta semana e há até uma passeata marcada para amanhã, convocada pela atriz Regina Duarte, uma das principais apoiadoras do presidente Jair Bolsonaro.

Alguns senadores emedebistas, inclusive, pressionam para que a líder da bancada, senadora Simone Tebet (MDB/MS), antecipe a reunião que decidirá o nome do partido que concorrerá ao cargo. A reunião está marcada para o dia 29 de janeiro, a apenas dois dias da eleição. O receio é que a campanha contrária ao senador, que representaria a “velha política”, acabe chamuscando no próprio partido, que ocupa o cargo de 2001, com uma breve quebra de tradição em 2007, quando o petista Tião Viana (AC) presidiu a Casa. Caso o partido decida por outro nome que não Renan, é preciso haver tempo hábil para a realização da campanha.

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Simone Tebet (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

“O MDB terá candidato e terá candidato para ganhar a eleição”, diz Simone Tebet, a mais forte concorrente de Renan dentro do MDB. Por ter feito, em dezembro, compromisso com a bancada de aguardar a decisão de Renan quanto à sua candidatura, Simone não colocou o seu nome na disputa interna. Mas, segundo apuração do Jornal do Brasil, até ontem, pelo menos seis senadores – metade da bancada que tomará posse em 2019 – são favoráveis à indicação da atual líder.

Fora da bancada, Simone Tebet tem ainda mais simpatia no Senado, a ponto de alguns candidatos, como Major Olímpio (PSL-SP), estarem dispostos a retirar a sua candidatura caso haja consenso por Simone Tebet. Um emedebista que prefere não se identificar contabiliza 48 votos para Simone.

“Tudo o que posso dizer hoje é que o partido não abrirá mão da presidência. Por isso, o candidato que a bancada indicar será aquele que, com certeza, conseguirá mais do que 41 votos”, completa a senadora, referindo-se ao número de votos necessários para eleger o presidente do Senado.

Os mais fortes concorrentes do MDB, maior bancada da Casa, são Tasso Jereissati (PSBD-CE) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), considerado o candidato do Planalto. A força de Alcolumbre, no entanto, de esvai caso o nome de Renan seja descartado, já que a sua marca principal é a oposição ao emedebista. Como a Câmara tende a reeleger o atual presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), o Parlamento não aceitará dar mais este poder ao Democratas, que já tem forte presença no Executivo.

A passeata convocada por Regina Duarte, que tem também o apoio do Movimento Brasil Livre (MBL), será na Avenida Paulista, às 14h.