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Presidente de Apex ignora demissão e continua trabalhando

Carreiro mostrou mensagens que comprovariam que ele teria sido forçado a deixar o cargo

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Um dia após ter a demissão anunciada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (Apex), Alex Carreiro, seguiu trabalhando nesta quinta-feira (10), cumprindo "expediente normal", segundo a assessoria do órgão.

"A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (Apex-Brasil) esclarece que o presidente Alex Carreiro, nomeado para o cargo pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, cumpriu expediente normal na agência nesta quinta-feira (10/01), tendo efetuado despachos internos e recebido para audiências autoridades de Estado", informou a Apex.

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Alex Carreiro (Foto: Arquivo pessoal)

A demissão de Carreiro foi anunciada na quarta-feira (9) pelo chanceler Ernesto Araújo, via Twitter, após uma semana no cargo. "O Sr. Alex Carreiro pediu-me o encerramento de suas funções como Presidente da APEX. Agradeço sua importante contribuição na transição e no início do governo. Levei ao PR Bolsonaro o nome do Emb. Mario Vilalva, com ampla experiência em promoção de exportações, para Pres. da APEX", escreveu na ocasião Araújo no Twitter.

Segundo interlocutores, Araújo teria anunciado a demissão antes de ter consultado Bolsonaro, que é quem tem o poder de nomear ou exonerar as indicações para o comando da Apex.

Crise

 

A situação na Apex abriu mais uma crise no governo Bolsonaro. Carrero foi indicado ao cargo pela bancada do PSL e é próximo do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) e do próprio presidente. Segundo interlocutores de Carrero, ele teria se reunido com Araújo para reclamar de outra indicação de Bolsonaro para a agência, a diretora de Negócios Letícia Catel, que atuou como assessora de imprensa durante a transição.

De acordo com fontes, Letícia, que é próxima de Araújo, não gostou de Carreiro ter exonerado 18 pessoas em menos de uma semana no governo e queria reverter as exonerações. Na reunião, Araujo sugeriu que Carreiro pedisse demissão, mas ele se negou. Ao sair do encontro, no entanto, o chanceler publicou o tuíte. Segundo fontes, Carreiro viu nisso uma tentativa de criar um "fato consumado" e forçá-lo a sair do cargo. Ele já teria procurado o presidente Bolsonaro, mas ainda não falou com ele.

Reunião

Araújo participava nesta tarde da reunião ampliada do presidente Bolsonaro com as Forças Armadas no Palácio do Planalto. O encontro começou por volta das 17h30.

Carreiro mostrou a deputados do PSL troca de mensagens pelo WhatsApp que comprovariam que ele não pediu demissão como informou o ministro nas suas redes sociais, mas foi forçado a deixar o cargo na Apex.

Hoje, Carreiro também procurou interlocutores no Palácio do Planalto para apresentar sua versão. Segundo assessores de Bolsonaro, ele não conversou pessoalmente com o presidente da República. Ernesto Araújo, por sua vez, teve uma reunião com o ministro Augusto Heleno (GSI) no início da manhã.