Ibama terá presidente crítico à indústria de multas

O procurador Eduardo Fortunato Bim, especialista em direito ambiental, será o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Integrante da equipe de transição, Bim ajudará o governo Bolsonaro a acabar com o que o presidente eleito chama de “indústria das multas”.

Eduardo Bim é autor do livro “Licenciamento ambiental”, em que aponta “diversos pontos polêmicos” da legislação que rege o licenciamento, principal instrumento da política nacional do meio ambiente. Por diversas vezes, na campanha presidencial e ao longo da transição, Bolsonaro afirmou que a legislação ambiental terá que se adequar ao desenvolvimento do agronegócio no Brasil. Ele chegou a mencionar a fusão entre os ministérios da Agriculta e do Meio Ambiente, mas diante das críticas recuou.

Ao fazer o anúncio, o futuro ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, confirmou, também, para o comando do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o veterinário e ambientalista Adalberto Eberhard, que já havia integrado o ministério durante o governo Dilma Rousseff.

Foi a primeira nomeação anunciada por Salles, que na quarta-feira foi condenado pela Justiça de São Paulo à perda de direitos políticos por 3 anos. Em entrevista à Agência Brasil, ontem, o futuro ministro afirmou que vai recorrer da decisão. “A sentença reconhece que havia diversos pontos a serem corrigidos, que não houve dano ambiental, que eu não tive nenhuma vantagem pessoal, reconhece que não há nada grave”, afirmou Salles, acusado de favorecer empresas de mineração em 2016, período em que era secretário do Meio Ambiente do governo Geraldo Alckmin.

Ontem, o futuro secretário-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, defendeu o colega, mas disse que no novo governo só haverá espaço para “ficha limpa”, ou seja, pessoas que não sejam condenadas. “As diretrizes básicas do governo mostram que não haverá espaço para quem não for ficha limpa. Não acho que seja o caso do ministro Ricardo Salles”, declarou Bebianno.

Foi com o discurso anticorrupção que Jair Bolsonaro cresceu no gosto do eleitorado brasileiro e tem mantido a retórica na transição. Mas denúncias de corrupção rodam a sua equipe, como o exemplo de Salles; Onyx Lorenzoni, futuro ministro da Casa Civil, acusado de cometer o crime de caixa 2 e a própria família Bolsonaro, cujo ex-motorista é suspeito de movimentar irregularmente R$ 1,2 milhão.