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'Enquanto eu for presidente, não teremos esta agenda', diz Bolsonaro sobre pena de morte

Presidente eleito voltou a rebater tema, e diz que fala de filho foi puxada de 'documentos do Itamaraty do ano passado'

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O presidente eleito, Jair Bolsonaro, comentou na tarde deste domingo (16) a polêmica sobre a pena de morte, levantada após entrevista de seu filho, Eduardo, defendendo a sua aplicação para casos como tráfico de drogas ou crimes hediondos, dependendo de plebiscito popular. O presidente eleito reafirmou que o tema não está em sua agenda e rebateu entrevista publicada pelo jornal O Globo. Bolsonaro falou à imprensa em um quiosque na Barra da Tijuca, onde foi tomar uma água de coco.

“Não está em nosso plano, não está em nosso programa, não foi debatido durante a campanha. Enquanto eu for presidente, da minha parte, não teremos esta agenda. A matéria [de O Globo] puxa documentos do Itamaraty do ano passado. Porque ele [Eduardo] foi à Indonésia ver como é que diminuiu a violência lá. E foi implementado a pena de morte lá. Mas não é esta a nossa intenção, até porque sabemos que está em cláusula pétrea [na Constituição] que no Brasil não haverá pena de morte", explicou o futuro presidente.

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Jair Bolsonaro (Foto: José Lucena)

Mais cedo, Bolsonaro já havia descartado tema pelo Twitter.

Também neste domingo, o outro filho de Bolsonaro, Carlos, criticou a entrevista:

Ao O Globo, Eduardo Bolsonaro afirmou que a discussão sobre uma mudança constitucional para implantar pena de morte para crimes hediondos e tráfico de drogas pode ocorrer em 2019, primeiro ano de governo do presidente eleito Jair Bolsonaro. Embora admita que a proibição da pena capital é uma cláusula pétrea, o futuro líder do PSL na Câmara defende a realização de um plebiscito ou referendo para consultar a população sobre o tema: "Se o povo aprovar, já vira lei", defendeu.

Jair Bolsonaro encerrou a entrevista quando foi questionado sobre Fabrício Queiroz, o assessor de seu filho, Flávio, sob investigação do Ministério Público dentro de um esquema de "mensalinho" na Alerj.

Maduro e Cuba

Antes disso, o presidente eleito respondeu sobre possíveis convites ao presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, para sua posse. Ele foi incisivo, dizendo que nem ele, nem o atual presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel receberiam convite.

“Ele não vai receber, nem o ditador que substituiu o Raúl Castro [Canel]. É uma ditadura, não podemos admitir. O povo lá não tem liberdade. Os [médicos] cubanos foram embora por quê? Porque sabiam que eu ia descobrir que grande parte deles, ou parte deles, eram agentes e militares. E não podemos admitir trabalho escravo aqui no Brasil, com a máscara de trabalho humanitário voltado para pobres, no tocante a médicos, e não é verdade isso aí”, ressaltou Bolsonaro.

O presidente eleito também atribuiu os bons resultados obtidos em recente pesquisa de opinião sobre expectativas de seu governo, ao acerto na escolha dos titulares dos ministérios. Segundo Bolsonaro, foram decisões técnicas, e não políticas, o que agradou à população. 

“É um reflexo, com toda a certeza, do bom ministério escolhido. Sem o critério político. Então isso aí dá uma esperança no povo [de] que algo diferente vai acontecer”, disse ele, em referência à pesquisa CNI/Ibobe divulgada na última quinta-feira (13), em que 75% dos entrevistados dizem que o futuro governo está no caminho certo e 64% dos entrevistados acreditam que a administração dele será ótima ou boa.