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Foragido, João de Deus deve se entregar às autoridades amanhã

Médium é considerado foragido e entra na lista da Interpol

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Foragido da Justiça, João de Deus informou às autoridades que deve se entregar amanhã, em Goiás, apurou o Estado. A data foi fixada há pouco, em negociação com a defesa. O médium é suspeito de abusar sexualmente de mulheres que buscavam atendimento espiritual na Casa Dom Inácio de Loyola.

A Polícia Civil suspeita que ele esteja fora de Goiás. Nas negociações realizadas hoje, uma das hipóteses era de que agentes fossem até o local onde ele está para fazer a prisão e o transporte até Goiás. Em virtude da idade e da natureza do crime de que é acusado, a expectativa é de que ele fique em uma cela individual. A prisão preventiva contra o líder espiritual foi decretada no fim da manhã de sexta-feira, 14.

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Médium João de Deus (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Integrantes do grupo destacado para fazer a investigação e as negociações, no entanto, ainda colocam em dúvida se o acerto será de fato cumprido. Para eles, a defesa do médium deverá aguardar o resultado do pedido de habeas corpus. Se a medida for concedida antes de ele se apresentar, seria possível evitar um desgaste ainda maior para o médium, que atrai anualmente para a cidade goiana

Lista da Interpol 

O médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, acusado de abuso sexual, é considerado foragido e seu nome foi incluído na lista da Interpol. A classificação é dada pelo Ministério Público e pela Justiça. O prazo para que ele se entregasse terminou às 14 horas deste sábado, 15.

A prisão preventiva de João de Deus havia sido autorizada no fim da manhã da sexta. Depois da decisão, advogados do líder religioso iniciaram uma negociação com a Polícia Civil. "Já foi concedido um prazo, buscas já foram realizadas. Estão reunidos todos os elementos para que ele seja considerado foragido da Justiça", disse o coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal, Luciano Miranda Meireles.

Mais cedo, a Secretaria de Segurança Pública havia emitido uma nota informando que não havia prazo para que ele fosse considerado foragido.

de Abadiânia 120 mil fiéis - 40% deles estrangeiros.

O advogado de defesa de João de Deus, Alberto Zacharias Toron, no entanto, assegurou em entrevista que seu cliente vai se entregar antes da apresentação do habeas corpus. A ação será proposta segunda.

Os relatos de abuso sexual vieram à tona há uma semana, quando o programa Conversa com Bial apresentou depoimentos de mulheres que se sentiram abusadas. Dois dias depois que os primeiros relatos foram divulgados, o Ministério Público e a Polícia Civil de Goiás formaram forças-tarefas para investigar os casos. Já foram coletados mais de 330 depoimentos. Desse total, 30 mulheres formalizaram até o momento as acusações.

Nesta semana, somente na cidade de Abadiânia, onde funciona a Casa Dom Inácio, foram iniciados três inquéritos. Eles se juntam a outros três que já haviam sido abertos antes de os depoimentos contra João de Deus serem divulgados na TV.

João de Deus não é visto publicamente desde quarta, quando visitou a casa Dom Inácio de Loyola e, em pronunciamento rápido, garantiu inocência e disse estar a disposição da Justiça. Depois de a prisão preventiva ser decretada, a Polícia Civil já percorreu mais de 20 endereços em busca do médium. Sua casa em Abadiânia, no entanto, ainda não foi alvo de buscas.

 

O delegado geral da Polícia Civil de Goiás, André Fernandes de Almeida, que lidera as negociações com a defesa do médium, disse acreditar que ele não está em Goiás. O advogado de defesa de João de Deus assegurou que ele deverá se entregar, mas não disse quando.

Uma das possibilidades é de que integrantes da Polícia Civil sejam encaminhados até o local onde o médium está para que a prisão preventiva seja formalizada. A intenção de advogados é preservar a imagem do cliente. Uma vez preso, ele seria levado para Goiânia, onde faria o interrogatório. "Será longo, detalhado. Há um grande número de relatos e informações que precisam ser questionadas", afirmou o delegado geral. Para o MP, são pequenas as chances de que ele se entregue neste sábado

João de Deus foi visto em público pela última vez nesta quarta, quando visitou a Casa Dom Inácio de Loyola, onde faz os atendimentos. Em um pronunciamento de poucos minutos, disse ser inocente e estar a disposição da Justiça.

Desde que a prisão preventiva foi realizada, a Polícia Civil afirma já ter procurado o médium em mais de 20 endereços. Na casa dele de Goiás, no entanto, as buscas não foram feitas. Os endereços já investigados estão sob sigilo. "Há pontos que também estão sendo vigiados", disse o delegado geral.

A Força Tarefa montada para investigar as denúncias de abuso sexual que teriam sido cometidas pelo médium já reuniu mais de 330 relatos em vários Estados do País. Mulheres que se dizem vítimas também se apresentaram em seis países. João de Deus atende cerca de 10 mil pessoas por mês, das quais 40% são estrangeiras. Os abusos teriam sido cometidos depois do atendimento espiritual feito pelo médium.

As mulheres relatam que, depois do atendimento em grupo, eram convidadas para uma consulta individual, onde os abusos seriam cometidos. O Ministério Público afirma ainda que quatro funcionários são suspeitos de ter envolvimento nos crimes.

A mulher de João de Deus, Ana Keila Teixeira, apareceu há pouco em público, durante uma festa de distribuição de brinquedos para criança carentes de Abadiânia e pediu que todos rezem para que a verdade prevaleça. A festa de distribuição de brinquedos é realizada todos os anos. É um dos acontecimentos de Abadiânia, cidade a 112 quilômetros de Brasília, patrocinados pelo médium. Um toldo é estendido em frente da casa do líder espiritual, brinquedos são dispostos na rua. Depois do almoço, há distribuição de bonecas, bolas e outros brinquedos.

Todos os anos, cerca de 2 mil pessoas participam do evento. Na edição deste ano, no entanto, a movimentação está muito abaixo da média. Há, neste momento, cerca de 200 pessoas no local, a maioria crianças. Ana Keila não deu entrevistas.