João de Deus aceita ser vigiado enquanto consulta

Para não ser preso e continuar seus trabalhos espirituais, o médium João de Deus autorizou seu advogado Alberto Toron, a dizer ao juiz Fernando Chaca – do fórum de Alexânia, cidade vizinha a Abadiânia, e que deve se pronunciar hoje sobre o pedido de prisão feito pelo Ministério Público –, que aceita ser filmado e vigiado por policiais enquanto consulta no seu centro espiritual.

Toron apresentou ao magistrado alternativas para que seu cliente continue os trabalhos espirituais na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, mesmo não havendo decisão judicial que o impeça de atuar. “Nós trouxemos uma petição, que se ele assim o desejar, para o seu João de Deus continuar o trabalho dele, ele poderá filmar todo o trabalho, se ele quiser colocar policiais na casa, poderá fazê-lo, para se ter certeza de que nada de ilícito ali é praticado”, explicou Toron.

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Para não ser preso e continuar atendimentos, defesa de João de Deus propõe acordo a juiz (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A defesa do médium solicitou ao Ministério Público acesso ao pedido de prisão preventiva feito à Justiça, assim como a todas as provas recolhidas até agora. “Não tivemos acesso a nenhuma prova. É impossível rebater o pedido de prisão preventiva já que nós não conhecemos seus fundamentos. De qualquer modo, nós salientamos que o senhor João de Deus está à disposição da Justiça para prestar depoimento”, disse Toron. O juiz Fernando Augusto Chacha não comentou o caso.

Centro espírita cogita recesso

A notícia de que o Ministério Público de Goiás (MP-GO) pediu a prisão preventiva do médium alterou a rotina no centro espírita Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO) e também nas pousadas, lojas, nos hotéis, restaurantes que vivem do turismo religioso na região.

Ônibus de excursão com fiéis continuam chegando à pequena cidade de cerca de 12 mil habitantes, dividida pela BR-060, que liga Brasília a Goiânia. O número de pessoas, contudo, é inferior ao habitual. Comerciantes evitam falar com a imprensa, mas alguns lamentam as desistências de reservas e a queda no movimento.

Pelo segundo dia consecutivo, o médium não prestou atendimento e aconselhamento espiritual. Ontem, ele chegou a passar pelo centro, mas permaneceu no local por menos de dez minutos. Após um rápido pronunciamento a seus seguidores, no qual disse ser inocente e afirmou estar à disposição da Justiça, ele deixou o centro em meio a um grande tumulto. Nenhum dos assessores mais próximos confirma o paradeiro do médium e o advogado não atende o telefone.

Ontem pela manhã, a mulher de João de Deus, Ana Keyla Teixeira, esteve na Casa da Sopa e em um dos endereços residenciais da família, mas evitou falar com a imprensa.

No site, a Casa Dom Inácio mantém a agenda habitual até o fim do mês, com a previsão de atendimento todas as quartas, quintas e sextas-feiras. No entanto, administradores do centro espírita já cogitam a possibilidade de interromper as atividades temporariamente, concedendo férias a parte dos 40 funcionários - número que inclui também os trabalhadores da chamada Casa da Sopa, que funciona em um casarão do centro da cidade e onde são servidas refeições para os fieis e para a população em geral, além de oferecidos serviços assistenciais.

“Diante da turbulência, eu aconselharia a fazermos um recesso”, disse um dos principais gestores da casa, Francisco Lobo.