Haddad quer construir frente de centro-esquerda

Petista anuncia oposição a qualquer retrocesso nos direitos sociais

O candidato à Presidência às eleições de 2018 pelo PT, Fernando Haddad, afirmou, ontem, que trabalhará para construir uma ampla frente com partidos de centro-esquerda PSOL, PCdoB, PSB e PDT para fazer oposição contra qualquer tipo de retrocesso no campo dos direitos a partir da eleição de Bolsonaro. O anúncio foi feito após reunião de Haddad, em Brasília, com as bancadas do PT na Câmara e no Senado, para fazer uma avaliação sobre o resultado da campanha eleitoral e discutir as estratégias de atuação da oposição frente ao novo governo.

“Reconhecemos que a extrema direita ganhou as eleições evidentemente, mas quem saiu qualificada e credenciada para fazer uma oposição digna foi a centro-esquerda”, disse. A atuação dessa frente, disse ele, reuniria sob um “grande guarda-chuva” a pauta dos direitos sociais e civis, que definirá o “recorte” das alianças com legendas de centro e centro direita. “São questões que exigem articulação que nós estamos dispostos a nos somar com correntes mais modernas de pensamento que querem garantir que não haja retrocesso no Brasil nesses dois âmbitos”, disse.

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Haddad participou de reunião com parlamentares do PT na Câmara e no Senado (Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

Haddad explicou que a primeira delas pretende congregar forças de centro, que muitas vezes se alinha a agenda neoliberal, mas que pode se posicionar contra a redução do papel do Estado no atendimento à população. “Nesse quesito vamos estar junto daqueles que defendem, por exemplo, o SUS, o não contingenciamento de verbas voltadas para o direito da população tanto do ponto de vista assistencial como do ponto de vista do serviços públicos”, afirmou.

A outra agenda, chamada de direitos civis, segundo ele, pode ser mais ampla e reunir setores da centro-direita, pois transcende ao campo da centro-esquerda e remonta às conquistas da modernidade. “Aí entram temas caros como a defesa da escola pública laica, que deve contar com o apoio de liberais, mas que não concordam com a agenda de extrema direita que quer calar os professores e torná-los inimigos públicos número um do país”, disse.

O petista ainda confirmou que vai a Nova York para o lançamento de uma coalizão internacional progressista, a convite do senador democrata Bernie Sanders e do ex-ministro da Grécia, Yanis Varoufakis. E acrescentou que se reunirá com com partidos de centro-esquerda também na Europa e América Latina para enfrentar a onda do conservadorismo e de corte dos direitos sociais. Segundo ele, há uma preocupação com o “mau uso” da tecnologia de informação no exterior “para solapar as bases da democracia”.

Fernando Haddad anunciou que estuda ingressar com uma ação judicial nos EUA contra o WhatsApp para que a empresa esclareça a disseminação em massa de informações falsas contra ele e o PT durante a campanha eleitoral. “Eles estão se negando a revelar os macrodados, queremos que eles digam o que aconteceu nas eleições brasileiras. Quem financiou, quantas mensagens, para beneficiar quem?, questionou.