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Outro nome do DEM

Indicado ao Ministério da Saúde, Luiz Mandetta responde a processo por fraude em licitação

Jornal do Brasil EDLA LULA, edla.lula@jb.com.br

O presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou, ontem, mais um integrante do Democratas para compor a sua equipe de governo. O deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) é o nome indicado para comandar a pasta da Saúde, sendo o terceiro integrante do novo ministério a pertencer ao partido. Os outros são o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e a responsável pela pasta da Agricultura, Tereza Cristina (DEM-MS).

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Presidente eleito Jair Bolsonaro ao lado do futuro Ministro da Saúde (Foto: divulgação)

Médico ortopedista, Mandetta gerenciará o segundo maior orçamento da Esplanada dos Ministérios: R$ 128,12 bilhões de acordo com a proposta orçamentária do governo para 2019. Ex-secretário da Saúde de Campo Grande (MS) entre 2006 e 2010, ele também está envolvido num inquérito aberto quando ainda ocupava o cargo de secretário, acusado de fraude em licitação, tráfico de influência e caixa dois na implementação de um sistema de prontuário eletrônico.
Segundo Bolsonaro, a indicação de outro parlamentar do DEM trata-se de uma coincidência, já que as escolhas que vem fazendo para o seu ministério não passam pelo crivo dos partidos, mas pelas bancadas temáticas relacionadas a cada área. “Onyx sempre esteve comigo, muito antes do primeiro turno. A dona Tereza Cristina é do DEM, mas foi uma indicação da bancada. Mandetta também. Parlamentares dos mais variados partidos indicaram o nome dele. Por coincidência, eles pertencem ao mesmo partido”.
Embora o novo presidente tenha ressaltado que os nomes escolhidos não sejam “indicações para atender interesses político-partidário, mas sim interesses especificamente das áreas de saúde e agricultura”, o parlamento funciona a partir das relações partidárias, focando o equilíbrio de forças.
Por isso, a presença ostensiva do Democratas no governo – que pode ser ampliada caso se confirme o nome do deputado Mendonça Filho (DEM-PE) no Ministério da Educação – torna ainda mais complicada a recondução de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara. Ele já não conta com o apoio de Bolsonaro, que declarou neutralidade para não entrar em questões internas da Câmara. Agora terá que convencer os seus pares de que, mesmo com o DEM compondo boa parte do primeiro escalão do Executivo, ele será a melhor escolha para a presidência da Casa.
Por isso, ontem, ao comentar a indicação de Mandetta, Maia fez questão de frisar que o deputado “é um grande quadro, mas a indicação foi exclusiva do presidente. O presidente tem direito de escolher entre os brasileiros aqueles que vão participar da sua gestão”.
Segundo o novo presidente da República, a escolha do deputado teve o apoio de toda a Frente Parlamentar da Saúde, dos dirigentes das Santas Casas – a quem Bolsonaro fez questão de ouvir ontem, dos hospitais filantrópicos e do Conselho Federal de Medicina (CFM). “Foi quase uma unanimidade, a exemplo do que aconteceu com Tereza Cristina”, ressaltou.
Ao falar com jornalistas, o futuro ministro deu entonação política à crise do Mais Médicos, ao dizer que à época de sua implantação, o programa pareceu “que era muito mais um convênio entre Cuba e o PT, e não entre Cuba e o Brasil, porque não houve uma tratativa bilateral”.
Ontem, no entanto, o deputado admitiu que será estudada uma forma diferente do Revalida para a avaliação dos médicos. “Há possibilidade de se fazer avaliação em serviço, há possibilidade de se fazer ou uma série de medidas em que, ao mesmo tempo que resguarda a população, dá garantias da qualidade daquele profissional. O objetivo é esse agora, saber quais as ferramentas que serão utilizadas, isso vai depender de uma ampla discussão do setor”.
Bolsonaro também divulgou a manutenção do atual ministro da Transparência e Controladoria Geral da União (CGU), Wagner Rosário. “Ele está fazendo um trabalho exemplar e a decisão foi que o que está dando certo a gente vai manter”.