Mandetta compara contratos do Mais Médicos a convênio entre Cuba e PT

Bolsonaro confirmou o nome do deputado federal pelo MS como ministro da Saúde

Valter Campanato/Agência Brasil
Credit...Valter Campanato/Agência Brasil

Na primeira declaração como futuro ministro da Saúde, o deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) criticou nesta terça (20) o modelo de contratação de profissionais cubanos no programa Mais Médicos. Para ele, houve “improvisações” no processo, e as negociações foram comparáveis a um “convênio entre Cuba e o PT e não entre Cuba e o Brasil”.

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Presidente eleito Bolsonaro com futuro ministro da saúde (Foto: divulgação)

"Esse era um dos riscos de se fazer um convênio terceirizando uma mão de obra tão essencial. Os critérios, à época, me parecem que era muito mais um convênio entre Cuba e o PT e não entre Cuba e o Brasil, porque não houve uma tratativa bilateral, mas sim uma ruptura unilateral”, afirmou Mandetta.

O futuro ministro da Saúde lembrou que este era um risco para o qual já se alertava no início: "A gente precisa de políticas sustentáveis, as improvisações em saúde costumam terminar mal, e essa não foi diferente das outras".

Mais Médicos

Mandetta disse que vai conversar com o atual ministro da Saúde, Gilberto Occhi, sobre a reposição das cerca de 8,5 mil vagas abertas com a saída dos profissionais cubanos do programa Mais Médicos.

Ele admitiu que pode vir a flexibilizar a exigência de revalidação dos diplomas de médicos. Segundo o futuro ministro, a hipótese é considerada para autorizar o trabalho de profissionais com diploma estrangeiro no país. "Há possibilidade de se fazer avaliação em serviço, há possibilidade de se fazer uma série de medidas onde você resguarda a população e dá garantias da qualidade daquele profissional”, afirmou Mandetta.

Para o futuro ministro, a exigência do Revalida é uma segurança para os pacientes. “O que a gente quer fazer com o Revalida é revalidar, saber quem é, o que estudou, o que falta de lacuna para atender o povo brasileiro, o grau de competência e de vínculo com a comunidade."

O Revalida reconhece os diplomas de médicos que se formaram no exterior e querem trabalhar no Brasil. O exame é feito tanto por estrangeiros formados em medicina fora do Brasil, quanto por brasileiros que se graduaram em outro país e querem exercer a profissão em sua terra natal.

Perfil

Médico e ex-secretário de Saúde de Campo Grande(MS), Mandetta está no segundo mandato de deputado federal e não disputou as eleições deste ano. Ele foi anunciado mais cedo como o mais novo integrante do primeiro escalão do governo de Jair Bolsonaro.

 

Mandetta é investigado por suposta fraude em licitação, tráfico de influência e caixa 2 no contrato para implementar um sistema de informatização na saúde em Campo Grande, no período em que foi secretário, entre 2005 e 2010. Questionado sobre as suspeitas, ele negou irregularidades."Exigia auditorias a cada 15% da execução do projeto. Tem seis auditorias. O projeto sofreu uma ruptura a partir de 2013, por interrupção administrativa, e um deputado de um partido de oposição resolveu fazer todas essas denúncias. Sempre que isso ocorre, a gente se sente desconfortável, mas quem é pessoa pública tem que se submeter a essas situações."

O futuro ministro chegou a ter os bens bloqueados em uma ação civil pública relativa ao caso. Na conversa com a imprensa após ter seu nome confirmado para o ministério, Mandetta disse que foi respaldado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro.

"Estive com o presidente, antes de ventilarem meu nome, levei a ele toda a situação”, contou. “Não sou réu, não tenho ainda a condição de saber quais são as eventuais culpabilidades a mim impostas, e quando for, se for o caso, apresento ao presidente. Mas, no momento, ele é o eleito e achou mais importante contar essa unidade que a gente pode representar para o setor, com essa experiência administrativa."

Futuro ministro da Saúde

O presidente eleito Jair Bolsonaro confirmou na tarde desta terça-feira (20), pelo Twitter, o deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) como futuro Ministro da Saúde.

Mandetta está em seu segundo mandado como deputado federal, mas decidiu não tentar a reeleição. Médico com especialização em ortopedia, foi secretário de Saúde de Campo Grande, sua cidade natal.

A nomeação de Mandetta significa o terceiro ministério para o DEM , que já conta com a chefia da Casa Civil, com Onyx Lorenzoni, e a Pasta da Agricultura, com a deputada Tereza Cristina. Mas o partido considera que são indicações pessoais do presidente eleito (o caso de Ônyx) ou dos setores interessados.



Deputado Federal pelo MS foi anunciado como titular da pasta da saúde no governo Bolsonaro
Presidente eleito Bolsonaro com futuro ministro da saúde