Ernesto Araújo é anunciado como ministro das Relações Exteriores

O anúncio do futuro ministro das Relações Exteriores saiu nesta quarta-feira, 14. O indicado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro é Ernesto Araújo. Bolsonaro divulgou o nome do novo chanceler em seu perfil no Twitter.

"A política externa brasileira deve ser parte do momento de regeneração que o Brasil vive hoje. Informo a todos a indicação do Embaixador Ernesto Araújo, diplomata há 29 anos e um brilhante intelectual, ao cargo de Ministro das Relações Exteriores", postou o presidente eleito.

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Ernesto Araújo (Foto: Reprodução)

O diplomata é Diretor do Departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos do Itamaraty. Araújo enviou, à época da eleição presidencial nos Estados Unidos, artigo de sua autoria, no qual revelou partilhar das ideias similares do Trumpismo. Jair Bolsonaro, vale frisar, é fã confesso do mandatário norte-americano.

“O presidente Donald Trump propõe uma visão do Ocidente não baseada no capitalismo e na democracia liberal, mas na recuperação do passado simbólico, da história e da cultura das nações ocidentais. A visão de Trump tem lastro em uma longa tradição intelectual e sentimental, que vai de Ésquilo a Oswald Spengler, e mostra o nacionalismo como indissociável da essência do Ocidente. Em seu centro, está não uma doutrina econômica e política, mas o anseio por Deus, o Deus que age na história. Não se trata tampouco de uma proposta de expansionismo ocidental, mas de um pannacionalismo. O Brasil necessita refletir e definir se faz parte desse Ocidente", afirma o texto.

Junto ao presidente eleito, o futuro chanceler declarou a jornalistas em Brasília que sua missão será "garantir que esse momento histórico, extraordinário, que o Brasil está vivendo com a eleição do presidente Bolsonaro se traduza" na política externa.

"Uma política efetiva, uma política em função do interesse nacional, uma política de um Brasil atuante, de um Brasil feliz, de um Brasil próspero", acrescentou.

Bolsonaro afirmou que Araújo tem todas as credenciais para o cargo e que algumas instituições perderam seu brilho nos últimos anos. "E queremos o MRE (Ministério das Relações Exteriores) brilhando", declarou.

Araújo, de 51 anos, atualmente é o chefe do Departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos do Ministério das Relações Exteriores.Com 29 anos de carreira diplomática, cumpriu tarefas em Bruxelas, Berlim, Ottawa e Washington, mas nunca esteve à frente de nenhuma embaixada.

"Ernesto Araújo está mais do que talhado para bem servir ao Brasil", afirmou o atual chanceler Aloysio Nunes em um comunicado. Desempenhou seu cargo à frente da área dos Estados Unidos com competência, dedicação e espírito público, continuou Nunes, que disse ter recebido sua indicação "com muita satisfação".

Críticas ao PT

O novo ministro das Relações Exteriores mantém um blog pessoal. Nele, declarou apoio à candidatura de Jair Bolsonaro e fez duras críticas ao Partido dos Trabalhadores. Na página, afirma que "o PT (partido terrorista) está se preparando para tomar o poder no Brasil”.

Araújo relatou ainda em sua página eletrônica ter participado das manifestações pró-Bolsonaro em Brasília. "O movimento popular por Bolsonaro não se nutre de ódio, mas de amor e de esperança... Só me lembro de uma atmosfera cívica desse tipo em duas ocasiões: a campanha das Diretas Já em 1984 e o movimento pelo impeachment em 2016. Isso significa que se trata de muito mais do que uma eleição... Trata-se de uma luta pela sobrevivência da pátria", escreveu. 

Em sua apresentação, no blog, o novo chanceler escreveu: “Sou Ernesto Araújo. Tenho 28 anos de serviço público e sou também escritor. Quero ajudar o Brasil e o mundo a se libertar da ideologia globalista. Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural. É um sistema anti-humano e anticristão”.

Repercussão

Em nota, o Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores (Sinditamaraty) saudou a escolha de Araújo. “A entidade se coloca à disposição para colaborar no enfrentamento dos desafios da política externa brasileira e na modernização das relações de trabalho em prol de todos os servidores do ministério”, comentou a entidade, desejando êxito ao futuro ministro.

(Com Agência Brasil)