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Toffoli assume o comando do Judiciário

Ministro é empossado e substitui Cármen Lúcia na presidência do STF

Jornal do Brasil EDLA LULA, edla.lula@jb.com.br

Quando o ministro Dias Toffoli chegou à 27ª página do seu discurso de posse, ontem, como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), já na fase dos agradecimentos, comoveu a plateia a cena em que o seu irmão caçula, José Eduardo Toffoli, portador da Síndrome de Down, caminhou até a Mesa do Plenário, de onde o ministro falava, e ambos trocaram beijos e abraços.

Toffoli dedicou os instantes finais de seu discurso, recheado de citações - que foram de Manoel Bonfim, Habermas e Hannah Arendt a Moraes Moreira e Cazuza - para falar de sua origem “caipira”, parodiando a canção Romaria, de José Renato. “O que aprendi e aprendo com meus pais, com meus familiares e amigos, tenham certeza, é o que baliza minha vida pessoal e profissional. Agradeço a todos na pessoa de meu irmão mais novo, José Eduardo”, disse Toffoli, quando o irmão entrou.

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Cármen Lúcia e Dias Toffoli se cumprimentam e são aplaudidos pelo presidente Michel (Foto: CNJ/divulgação)

Antes, o ministro havia tocado em temas que marcam o atual momento brasileiro, de turbulência política, inclusive entre as instituições dos Três Poderes. “Não estamos em crise, estamos em transformação”, disse o novo presidente da Suprema Corte, que substituiu a ministra Cármen Lúcia, após enfatizar o caráter harmonioso dos Poderes da República. “Não somos mais nem menos que os outros Poderes. Com eles e ao lado deles, harmoniosamente, servimos à nação brasileira”.

Usando a metáfora do programa Terra Dois, apresentado por Jorge Forbes, Toffoli exaltou o que ele chamou da nova democracia, marcada pela diversidade. “Insistir no modelo de Terra Um é manter os velhos conceitos e práticas. É insistir no mundo da corrupção. É uma forma falida de viver, de pensar e de agir, que não mais encontra espaço em Terra Dois”, declarou.“Precisamos viralizar a ética intersubjetiva”, conclamou, “viralizar a ideia do mais profundo respeito ao outro, da pluralidade e da convivência harmoniosa de diferentes opiniões, identidades, formas de viver e conviver uns com os outros. Essa é a essência da democracia”.

Luis Roberto Barroso, franco oponente de Toffoli em vários temas debatidos no Supremo – como a prisão em segunda instância - também enfatizou esse aspecto da democracia que permite a convivência harmoniosa entre os diferentes. “ Somos amigos afetuosos”, declarou. Barroso foi escolhido por Toffoli para discursar em nome do colegiado como sinalização de que a nova gestão será marcada pelo esforço de pacificação no Supremo. “Tivemos visões diferentes dos caminhos a seguir. Esse fato, todavia, jamais diminuiu o respeito e a consideração que temos um pelo outro. Nem tampouco meu apreço pela maneira autêntica e leal com que se comporta”, disse.



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