Morre Golda Meir, a mãe do Estado de Israel

A os 80 anos, morreu a ex-primeira-ministra de Israel Golda Meir, vítima de leucemia, num hospital de Jerusalém. A enfermidade atacava Golda havia 12 anos, incluindo o período em que foi premier (1969-1974). Com o falecimento desta mulher, o Estado judeu perdia um dos últimos dos seus fundadores. Se David Ben Gurion, morto em 1974, era considerado seu pai, Golda Meir certamente era a mãe de Israel.

Ben Gurion até se referiu a Golda certa vez como o “único homem do meu gabinete”, elogiando a coragem e a determinação da mulher que, com um vestido leve e uma bolsa, foi aos Estados Unidos em 1948 e levantou 50 milhões de dólares para a compra das armas que garantiriam a existência do país em seus primeiros e difíceis dias.

Nascida na Rússia, Golda Meir foi deputada, líder do Partido Trabalhista, embaixadora de Israel em Moscou, ministra do Trabalho e do Exterior, antes de se tornar primeira-ministra, cargo ao qual renunciou em consequência de duras críticas dirigidas a seu governo.

Golda assumiu as rédeas de Israel, em fevereiro de 1969, para evitar uma guerra entre os generais Dayan e Allon, quando ambos pretendiam o mesmo posto. Mas, contrariando as previsões, permaneceu à frente do governo durante cinco anos. Mostrou-se sempre hábil em contornar e resolver as dificuldades políticas internas, na justa medida em que iam emergindo. No plano externo, revelou-se de uma intransigência a toda prova, embora nas negociações se mostrasse disposta a fazer concessões, desde que elas não viessem a comprometer no essencial sua diretriz política.