Lula: não quero aventuras no Orçamento

EM REUNIÃO FECHADA ontem à tarde, no Palácio do Planalto, com líderes dos partidos na Câmara e no Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou do grupo empenho em não mexer no Orçamento de 2011, que ainda será analisado pelo Congresso.

Lula disse que deseja “entregar o governo com chave de ouro” para Dilma Rousseff, a sucessora eleita, e lembrou que a administração não suporta “mais gastos” ou aventuras.

O presidente disse que a prioridade é apenas o reajuste do salário mínimo.

Foi um claro recado para que os parlamentares enterrem as propostas que tramitam sobre os aumentos reivindicados pelo Judiciário (56%), que elevariam gastos na área para R$ 7 bilhões; pelo Ministério Público (mais R$ 800 milhões); e pelos policiais (mais R$ 43 bilhões), através da PEC 300, que cria piso nacional para a categoria.

Enquadrada Como a coluna antecipou, a PEC 300, que levou milhares de policiais civis e militares ao Congresso este ano, foi para a gaveta.

Como mexe com os orçamentos de todos os estados, não há interesse de nenhum parlamentar em desagradar aos governadores.

É festa A reunião de Lula com seleto grupo de deputados e senadores foi em tom de despedida e animação.

O presidente cobrou um jantar de confraternização.

Não faltaram sugestões de bajuladores.

É festa 2 Sandro Mabel (PR-GO), que levou suas famosas rosquinhas – Lula as comeu durante a reunião – sugeriu a mansão que tem em Brasília para o encontro.

Fisgou? Um deputado do Tocantins convidou Lula para pescar no Araguaia tão logo deixe o Palácio do Planalto.

Lula gostou.

CPMF, sempre ela Lula foi solícito na conversa, ouviu a todos e agradeceu o apoio da turma, principalmente o bom-senso da oposição em muitos casos, mas também bradou como anfitrião.

Não engoliu e nunca engolirá a queda da CPMF no Senado há três anos.

Magoou Antes íntimo do presidente, Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB e cotado para comandar a Câmara, sentou longe de Lula.

E ficou q u i e t o.

Derretidos A ideia do blocão articulado por Henrique Alves (PMDB-PR-PP-PTB-PSC entre outros), na Câmara, para negociar com a futura presidente, derreteu ontem depois do café da manhã de Dilma com Michel Temer.

Já é chamado de blocão de gelo.

Dilma quer dar tratamento igual, e não aceita negociar com grupinhos.

Está ocorrendo no Brasil uma plutocracia (na política), em que campanha só se faz com muito dinheiro Chico Alencar, deputado do PSOL-RJ “.