Para atores, é preciso fazer a cultura ser encarada como grande negócio

O ator Osmar Prado acredi- ta quea produçãocultural brasileira estábem encami- nhada. Mas avalia que a cria- çãode“mais plateias”éum dosmaiores desafiosparao governo Dilma Rousseff. – É preciso fazer com que o empresariado se interesse, bri- gue para patrocinar produções porque, no sistema capitalista, renderá dividendos. Devem en- tender que a cultura também é um grande negócio – defende. – É preciso criarcada vez mais plateiasno teatro,nocinema, assim como mecanismos de ba- rateamento de ingressos, sem onerar a produção. De acordo com a relatora do ProCultura,a deputadaAlice Portugal (PCdoB-BA), descen- tralizar a produção cultural é a principal metada proposta, que recebeu as últimas suges- tões antes da apresentação do relatório final, ontem à tarde. A meta considerada por ela é o grandedesafio dosetornos próximos anos. Para Maurício Dantas, asses- sor da secretariaexecutiva do MinC e coordenador do Plano Nacionalde Cultura(PNC),a falta de planejamento no setor é um dosprincipais ent raves. Ele lembra que modificar a Lei Rouanet, tanto em termos de desburocratização do acesso aos recursos como também do poder de decisão que as empre- sas receberam,é fundamental para melhorar os indicadores. – Foram criadas superprodu- toras, que definem o que será apoiado no país – critica Dan- tas,ao defenderasmudanças em tramitação. As empresastêm liberdade paradecidir quetipos depro- jetos apoiam, alémde recebe- rem até 100% de dedução fiscal do valor destinadoà produção cultural. No final das contas, as empresas, que gastam pouco ou nada, figuram como patrocina- dores de eventos custeados em sua quasetotalidade comdi- nheiro público. Em18 anos,foramdisponi- bilizados cerca de R$ 8 bilhões, por meioda LeiRouanet. No entanto,mais deR$ 7bilhões eramdo contribuinte,segun- do o MinC. Ou seja, a cada R$ 10 investidos, R$ 9,50 são re- cursos públicos.

Mais independência

O atorOdilon Wagner,presi- dente da Associação de Produ- tores TeatraisIndependentes, lembra que é preciso encontrar mecanismos para fazer com que as produçõesculturais no país não fiquem tão dependen- tes das ações do governo. Prin- cipalmente, pelo retorno finan- ceiro que o setor pode trazer pa- ra quem investe. – Não estamos falando só de cultura, mas de uma economia pujante – defende o ator. No entanto, Odilon reconhe- ce que investimentos públicos são fundamentais.Para isso, afirma ser preciso “vontade política” paraimpedir queo orçamentodestinado àcultu- ra seja contingenciado.

É preciso fazer com que o empresariado se interesse, brigue para patrocinar as produções, que renderão dividendosOsmar Pradoator

Ivone Perez/Divulgação

Não falamos só de cultura, mas de uma economia pujante. É preciso vontade política para evitar contingenciamentoOdilon Wagnerpresidente da Associação de Produtores Teatrais IndependentesLeonardo Prado/Agência Câmara