Depois de novembro e antes de janeiro

PERDEU-SE, nesta cam - panha, r epita-se, a oportuni - dade de que f ossem discuti - das r ele v antes questões de Estado . Há a constr angedor a suspeita de que os contendo - r es não quiser am ir além das pr o vidências administr ati - v as, por temer em alçar -se à análise da anatomia do Esta - do . Esqui v ar am-se de apr e - sentar a br angentes pr o g r a - mas de go v erno , como , por e xemplo , fez J uscelino , com seu Plano de Metas. O pr e - sidente, par a os que não vi - v er am aquele tempo , apr e - sentou um elenco de trinta metas, que a nação poderia atingir (a 31ª f oi a da cons - trução de Br asília), e as as - sociou à pr ojeção da nacio - nalidade no m undo . A um amigo pessimista, que consi - d e rava delírio a sua pr omes - sa de f az er o país a v ançar 50 anos em 5, ele r espondeu com a fr ase curta e poder osa: “É que v ocê não conhece este po v o”. As metas de J uscelino f or am o instrumento político par a mobilizar o país, e meio adequado par a assegu - r ar -lhe a autoestima, sem a qual não se er guem as g r an - des nações. J uscelino n unca viu no desen v olvimento ape - nas seu aspecto econômico , mas, tal como V ar gas o fiz er a antes, como fermento par a a afirmação e consolidação da sober ania nacional. A sobe - r ania se f az com v ontade e r a - zão , mas necessita de econo - mia f orte, a fim de assegur ar os ferr os, ou seja, as armas que assegur am a indepen - dência dos po v os. O m undo que nos esper a, nestes próximos e decisi v os anos par a a Humanidade, pe - de, além da e xigida honr adez dos go v ernantes, a vigilância permanente sobr e os mo vi - mentos uni v er sais na estru - tur a do poder . Na Antiguida - de, um sistema imperial po - dia dur ar milênios ou várias centenas de anos. Hoje essa situação de pr edomínio ten - de a se a br e viar , cada v ez mais. Há no v enta e no v e anos, quando Sun Y atsen derrubou a dinastia manc hu e pr oclamou a República, a China não passa v a de v asta colônia de miseráv eis e dr o - gados, per v ertida pelo ópio que os ingleses ha viam intr o - duzido no país – e humilhada pelos eur opeus. Retornando a suas r aíz es milenar es, e ne - las enxertando , com as ideias do socialismo , as conquistas da tecnolo gia moderna, a China, nos últimos 50 anos, tornou-se a amedr ontador a potência de hoje. Os Estados Unidos e a Inglaterr a, além de sequaz es menor es, soço - br am agor a no c har co mor al de guerr as inglórias e inú - teis, como r e v elam os mais r e - centes documentos do W iki - leaks. É uma triste ir onia que, nas mesmas hor as em que as atas da guerr a do Ir a - que são e xpostas ao m undo , o go v erno títer e do Ir aque con - dene à morte T ariq Aziz, vi - ce-primeir o-ministr o de Sad - dam Hussein, cristão , que se r e v elou g r ande estadista, ao tentar salv ar o seu po v o do massacr e ocidental, apelan - do em vão par a a consciência do m undo , a começar pelo V a - ticano , em busca da paz. T a - riq acr editou no Ocidente; r endeu-se, confiado , aos Es - tados Unidos, e f oi por eles entr egue aos seus inimigos internos. Quem pensar um pouco so - br e a situação m undial enten - derá que de v emos contin uar mobilizando nossos esf orços, intelectuais e políticos, na permanente atualização do v elho pr ojeto nacional. Esse pr ojeto a v ançou nos anos 50, a partir da P etr obr as, criada e mantida s ob o contr ole do Estado , g r aças aos dois g r an - des pr esidentes, o gaúc ho e o mineir o , que sofr er am, na carne e na alma, o acosso dos v endilhões da pátria. Não po - demos dele r ecuar . A P etr obr as não é menciona- da por acaso . Ela, sob o c on- tr ole do Estado , é mais do que o símbolo do que é capaz de f az er este po v o , par a r epetir J uscelino . É a pedr a angular de um Br asil que não se inti- mida mais diante do m undo . Esper amos que, depois de F i nados, e antes de janeir o , possamos, todo o po v o , discu - tir os g r andes temas de Esta - do , esquecidos dur ante a campanha. Entr e eles, o pr o - jeto do pré-sal, que se encon - tr a no Senado par a ser v otado nas próximas semanas, e está ameaçado de desfigur ação pelas emendas neoliber ais.

Brasília é a pedra angular de um Brasil que não se intimida mais diante do mundo