Breves reflexões: contra e a favor

Dilma é suspeita de pecar ostensivamente contra Fr eud por faltar à ver dade em pr oveito alheio

Qualquer r etificação mal alcança uns dez por cento de cr edibilidade, contra 90 de cer teza

EM JOGO DE P ALA VRAStanto se ganha quanto se per de, como ocorr e em qualquer modalidade (que se pr ez e) de apostar no aca- so . O e x emplo , r egistr ado ele- tr onicamente nesta eleição , já pode ser consider ado clássico e assim passar aos anais das cam- panhas eleitor ais e do mar k e- ting político , onde F r eud se fez pr esente pela mão da candidata oficial Dilma R ousseff , quando quis passar de defensor a a de- safeta do a borto . Com a pr eferência das pes- quisas de opinião no primeir o turno , dona Dilma Rousseff pr o- clamou já no segundo , escan- dindo as síla bas como de hábito: “Eu n unca disse que sou contr a o a borto , até por que sou a f a- v or”. E, mal pr on unciar a a úl- tima pala vr a, se deu conta da barbeir agem e do r ombo pr e- visív el no seu estoque de v otos. T r atou de v oltar atrás par a sal- v ar uma parte da colheita de intenções de v otos: “Eu n unca disse que sou a f a v or , até por que sou contr a o a borto”. Como não há saída de emer gência nesses casos, nada a e xplicar . Qualquer r etificação mal al - cança uns dez por cento de cr e - dibilidade, contr a 90 de cer - teza. Quanto mais se e xplica um engano , mais desf a v oráv el será o efeito . Já er a assim e pior ou desde que Sigm und F r eud se ser viu dessa parte oculta do ser humano , que se c hama inconsciente, e não dei - xa ninguém mentir com pr o - v eito . F alar a v er dade a con- tr agosto talv ez seja a última oportunidade par a o ser huma- no r ecorr er , mesmo por descui- do , à v er dade que não lhe con- v enha, ainda que seja a única. O segundo turno desta suces- são pr esidencial, tão c heia de cur v as, pode ger ar uma v er são científica e decifr ar o que se passou com dona Dilma, suspei- E que o eleitor é mais do que alguém c hamado , de quatr o em quatr o anos, par a escolher o me- nos cr edenciado dentr e nomes que se consider am superior es aos eleitor es, a ponto de quer er enganá-los o tempo todo . F ica e vidente que o conceito de me- lhor saiu de cir culação desde que o pr esidente Lula fec hou a História do Br asil par a ficar so- zinho em cena. O pr esidente JK encami - nhou ao eleitor ado , desde o co - meço da campanha pr esiden - cial de 1955, o compr omisso de entr egar 50 anos de pr o g r esso n um mandato de cinco anos, com uma r elação de duas cen - tenas de obr as – g r andes, mé - dias e pequenas – começadas e concluídas no período . Sem so - fismar e sem ter gi v er sar , n um único mandato , como insis - tiam os fundador es da Repú - blica, que não der am ouvidos aos apolo gistas da r eeleição . Eleição pr esidencial não é mais tão simples como no tem - po em que se entendiam, como meios de com unicação , apenas os jornais que saíam à rua pela manhã, ao meio-dia e ao cair da noite. Só na década de 50 o rádio se adiantou à mobiliza - ção política, estim ulou o pr o - cesso eleitor al e passou a ter peso político . E, na confusão , elegia de cambulhada locuto - r es, cantor es e humoristas. A tele visão c hegou mais tar de e demor ou a encontr ar espaço criati v o próprio . Cer ceada por limitações legais, em nome de uma igualdade apenas r estri - ti v a, contin ua confinada à r es - ponsa bilidade asfixiante de inf ormar com equidade candi - datos desiguais. Só a internet iria compensar a e xplor ação da difícil e inquietante liber - dade de manter inf ormado o público ávido de r omper as fr onteir as da con v eniência. Os de bates ao vi v o per der am em substância o que compen- sam com ag r essi vidade pessoal, pela qual candidatos não r e s- pondem. N ão há acesso a pr o - vidências legais par a cobr ar r e s- peito , na f alta de r azões que a r azão não desconhece (inclusi v e as clássicas figur as da dif ama- ção , da injúria e da calúnia, das quais se isentam). Ninguém se lembr ou de diz er à candidata ta de pecar ostensi v a mente con- tr a F r eud, ao f altar à v er dade em pr o v eito alheio . O mal que a questão do a borto fez à candi- data oficial, quando ainda apr o - v eita v a sua estr eia como a vó, mostr a q ue o m ar k eting eleito- r al, mesmo em português, não pode f az er pouco de F r eud sem macular a sucessão . Dona Dilma corr e o risco de ser apontada, quando as consequências se apr esentar em no próximo ato , como emissária do espírito en- ganador que orienta os candi- datos ao se dirigir em ao eleitor . oficial que é menos suspeito as- sumir a v er d ade do que r etificar o engano cometido n u ma cir- cunstância eleitor al. P elo me- nos, até a eleição . PS: domingo à noite, em de - bate com J osé Serr a, Dilma nem se deu conta do engano , ao per der o rumo e pr oclamar pe - lo a v esso que “o Br asil f oi o primeir o a entr ar na última cri - se internacional e o último a sair”, quando f oi e xatamente o oposto , pois entr ou por último e saiu na fr ente.