Antes, durante e depois

-->Q U ANDO A GUERRAc hega v a ao fim na Eur opa e a democr acia já se an uncia v a entr e nós, de f or a par a dentr o do Br asil, uma entr e vista de J osé Américo de Almeida, publi - cada pelo -->Corr eio da Manhã -->, no começo do ano de 1945, bur lou a vigilância dos censor es e pr estou o ser viço de acor dar a opinião pú - blica dopada pela censur a: nela, o candidato frustr ado pelo golpe de estado em 1937 aconselha v a o di - tador Getulio V ar gas a con v ocar a eleição pr esidencial e a brir cami - nho à democr acia depois de sete anos de ditadur a. Os jornais da tar de der am contin uidade ao no - ticiário político , e o Estado No v o começou a ser demolido par a a brir caminho à democr acia. A Assembleia Constituinte de 1946 r emodelou o Br asil sem per - der de vista algumas v aliosas ca - r acterísticas da tr adição liber al e ar ejou com tolerância padrões po - líticos f or a de uso . A oportunidade tr ouxe a estr eia da esquer da na legalidade, sob a batuta do PCB, em três anos de intensa criati vi - dade política e par lamentar . Na v olta às urnas, no dia de hoje, par a eleger o pr esidente da Re - pública, v ale lembr ar que 35 per - sonalidades e xer cer am no Br asil a c hefia do go v erno e do Estado , des - de 15 de no v embr o de 1889. De Deodor o da F onseca a Luiz Inácio Lula de Silv a, constam da r elação os pr esidentes eleitos e empossados, com e xclusão das juntas que e xer - cer am o poder por tempo limitado na queda da República V elha, em 1930, e os parênteses de interini - dade confiados ao pr esidente da Câmar a, Ranier e Mazzilli, em 1961 e 64, e os r elati v os aos pr esidentes eleitos mas não empossados por morte (Rodrigues Alv es e T ancr edo Ne v es) e pelo golpe militar que en - cerr ou a República V elha (e in v a - lidou a eleição de Júlio Pr estes). Não se eleger am por v oto dir eto os cinco gener ais r efer endados pelo Cong r esso Nacional, que não f oi ca - paz de r e v estir de legitimidade duas décadas da História do Br asil. Assim que a paz internacional equacionou a Guerr a F ria, o Br asil ar cou com as consequências que le v ariam ao colapso democrático em 1964. Mas a Constituição so - br e vi v eria par a salv ar as aparências com o v eneno da censur a, a hi - pertr ofia do Executi v o e o enfr a - quecimento do Legislati v o e do J u - diciário . O AI-5 se encarr egou do r esto . Só depois de duas décadas, o Cong r esso r etomaria a t rilha de - mocrática sem mais ênf ase do que as tônicas liber ais clássicas. Em 1988, não corr espondeu ao que er a esper ado da no v a Constituição e da r epr esentação política. O declínio da or atória par lamentar a partir do AI-5 deixou os partidos sem de bates e sem público . Os meios de com u - nicação vi v er am intensamente a tr ansição , e lo go os partidos po - líticos ar car am com o equív oco de apr ofundar a democr acia a partir do númer o e xorbitante de legendas n uma salada de adjeti v os irr eais. A r epr esentação ainda descobriu a co - ni vência por omissão ética. A sucessão pr esidencial que se consuma hoje é o guar da-c huv a de uma in v olução política não de todo impr e visív el em seus malefícios. Estão aí como pr o v a a sucessão nos estados e uma r epr esentação amorf a, sem car acterística clar a (a mar ca dos partidos, e xpr essa nas siglas, mig r ou par a longe da pr o - paganda). Oper ou-se uma in v olu - ção . Desde o pr esidente que saltou de vice par a titular –J osé Sarne y , por morte de T ancr edo Ne v es – já passar am pela Pr esidência da Re - pública F ernando Collor de Mello (f orçado a r en unciar), o vice Ita - mar F r anco , que degolou a inflação e plantou a moeda esta bilizada na economia e na política br asileir a; F ernando Henrique Car doso , que cedeu à tentação de e xperimentar a r eeleição r ejeitada pelos funda - dor es r epublicanos; e Luiz Inácio Lula da Silv a, eleito , r eeleito e que, nas asas da popularidade e de olho na próxima sucessão , f az e acon - tece. T udo se r esolv eu ou se adiou no plano político sem maior es tr au - mas. O social subiu alguns de - g r aus, mas o pr estígio do Cong r es - so desceu na a v aliação ger al. O Br asil como um todo deixa mais a desejar à democr acia do que tem r ece bido em seu nome. Esta não f oi uma campanha pr e - sidencial animador a, mas nin - guém é perfeito nem a democr acia quer tanto . Enquanto houv er li - ber dades, r estará a hipótese de que no fim tudo dê certo .-->A sucessão pr esidencial que se consuma hoje é o guar da-chuva de uma involução política-->WILSON FIGUEIREDO-->wilsonfigueir edo.com