O eleitor está tiriricando?

-->O-->v oto de pr otesto na His - tória r ecente de democr a - cia pode ter começado com a eleição de F ernando Collor de Mello par a pr esidente da Re - pública. Enfim, depois de déca - das, o país v olta v a a ter o dir eito de escolher o seu candidato , e não alguém alçado ao poder por f orça das cir cunstâncias – com o de vido r espeito ao e x-pr esidente J osé Sarne y . O v oto de pr otesto sur giu com mais f orça no fenômeno Enéas Carneir o , o saudoso e x-can - didato que bombar dea v a ad v er - sários com fr ases – e ideias – de efeito . Esse v oto de pr otesto o le v ou à Câmar a F eder al. O mesmo fenômeno se r epetiu com o tur - bilhão de v otos de Heloísa He - lena, o pr otesto de a m ulher tam - bém pleitear uma v aga no P alácio do Planalto . Agor a, o v oto de pr o - testo r essur ge não majoritário , mas pr opor cional, em um caso cu - rioso – di v er sificou-se pelo país. A ponto de v ermos o palhaço , cantor e ator T iririca (SP) lider ar a disputa pela Câmar a dos De - putados por São P aulo , o maior colégio eleitor al do país. P artiu do próprio candidato lançar mão do pr otesto . Em outr as pala vr as, sur ge na TV com semblante r e - v oltado , contr a a corrupção e es - quemas afins da política nacio - nal. E no melhor jeito popular que o consag r ou, diz que, com ele eleito , pior do que está o Con - g r esso não fica. E, às f a v as o ne - potismo tão combatido , emenda par a arr ancar gar galhada do te - lespectador: “V ou ajudar m uitas f amílias, inclusi v e a minha”. Expert em análises eleitor ais, o e x-pr efeito do Rio Cesar Maia captur ou essa mensagem popu - lar que permeia o v oto de pr o - testo atual e esboçou o neolo - gismo tiriricar . O po v o está ti - riricando a escolha. E essa tiri - ricarização , digo , par a incr emen - tar o v oca bulário tão pr opício , pode tornar -se um fenômeno na - cional. Exausto com o bombar - deio de denúncias contr a os man - datários do poder em todos os cantos do país, sejam eles do go - v erno feder al, de estaduais ou m unicipais, o eleitor está tiriri - cando . Exager o diz er que usar o termo é mandar o v oto às f a v as. Seria um desr espeito ao nome artístico do candidato . Mas não será impossív el essa e xpr essão ganhar o v oca bulário popular e consolidar -se futur amente nos di - cionários. Uma pr o v a, temos já no -->A urélio -->a pala vr a cristianização , par a lembr ar o f amoso caso da disputa entr e Cristiano Mac hado e Eduar do Gomes. Não se pode negar que há um moti v o político em cada candi - datur a de artista ou esportista a car gos majoritários ou pr opor cio - nais. Mas fec har os olhos par a uma v er dade é ser complacente com o risco de um v oto equi v o - cado: o mandato político vir ou um g r ande negócio . F alido , atrás de um soldo segur o por algum período; ou enr olado com a J us - tiça e em busca do f or o pri vi - legiado; ou depr essi v o e vítima da obsessão por holof otes; ou sim - plesmente com o intuito de a br a - çar um ideal e ajudar par cela da sociedade, o artista ou esportista estão buscando as eleições como alternati v a às suas carr eir as. P oderia citar aqui dez enas de e xemplos, mas concentr o-me nes - tes: além de T iririca, o pagodeir o e apr esentador de TV Netinho de P aula (PCdoB), líder nas pesqui - sas par a o Senado . Com c hances de ser em alçados à Câmar a o e x-cr aque Romário (RJ), o s umi - do Leandr o do KLB (SP), o po - lêmico estilista Ronaldo Esper (SP); e na tentati v a de r eeleição os cantor es de f orró F r ank Aguiar (SP) e Mão Br anca (B A). Do rin - gue par a o plenário , podem sur gir Maguila (PE) e P opó (B A). P elas notoriedades, os partidos desco - brir am a tempo que eles serão bons puxador es de v otos. Prin - cipalmente os de pr otesto . Independentemente de se- r em le v ados par a Br asília, criou-se na cultur a política br a- sileir a um fenômeno . Nem todo artista é um político . Mas todo político se torna um.-->Nota do colunista-->Em tempo , Romário , P opó, Esper e Netinho , por moti v os di v e r sos, já desfilar am por fi- c has policiais ou ainda estão na mir a da J ustiça.