Getúlio, o Dasp e a corrupção do poder

-->maioria, esses ser vidor es são pessoas honr adas, que digni - ficam a administr ação , as cir - cunstâncias f a v or ecem a me - diocridade, estim ulam o nepo - tismo , induz em ao suborno , permitem a p r omiscuidade en- tr e os lobistas e os funcionários de segundo e do primeir o es- calão , sempr e mais fiéis aos go- v ernos tr ansitórios que os em- pr egam do que ao Estado . É assim que se e xplicam m u i- tos dos escândalos na capital da República. O contato dos lobis- tas com os par entes de ocupan- tes e v entuais de car gos tr ansi- tórios, mas importantes, é i m- pelido pelas cir cunstâncias. Os bons go v ernantes não conse- guem vigiar o comportamento desses ser vidor es e de seus f a - miliar es. Se as in v estigações consider ar em a senhor a Er eni- ce Guerr a culpada, ter emos um caso típico dessa situação . Ela começou a tr a balhar em um dos dois go v ernos mais honr ados do Distrito F eder al, o de Christo- v am Buar que (o outr o f oi o de J osé A par ecido). E l o g o teria criado empr esa de pr estação de ser viços ao próprio go v erno de que er a ser vidor a. P odemos assegur ar que, se soubesse do f ato , Christo v am a teria de - mitido no ato . Em pouco tempo – menos de 15 anos, sem pr estar concur so – essa ad v o gada quase desco - nhecida c hegou a um dos car - gos mais importantes do cen - tr o do poder , a Casa Ci vil. Não é o melhor padrão de carr eir a em uma administr ação r eal - mente r epublicana.-->O desenvolvimento econômico nacional r eduziu a atração pelos concursos públicos-->dendo impor compulsoriamen- te a m udança dos ser vidor es fe- der ais par a o Planalto , o go v er- no se viu f orçado a esta belecer v antagens e xcepcionais par a os que se dispusessem à tr ansfe- rência, e a nomear interinos, lo go efeti v ados. O desen v olvimento econômi- co nacional r eduziu a atr ação pelos concur sos públicos. Os go- v ernos m ultiplicar am os car gos em comissão e ter ceirizar am ser viços. O pr oblema se tornou ainda mais g rave e m B r asília, dur ante o go v erno Collor , com a-->Q U ANDO O PRESIDENTE Getu - lio V ar gas criou, em julho de 1938, o Dasp , e instituiu o con- cur so público de admissão aos quadr os da bur ocr acia feder al, buscou mor alizar o sistema, até então submetido e xclusi v a men- te às indicações políticas. É c e r - to que f or am criados os c ha - mados “car gos isolados de pr o vimento efeti v o”, sempr e os mais bem r em uner ados, co - mo os de fiscais tributários e de tesour eir os. Mas, par a os demais lugar es, instituiu-se o sistema de mérito . Esta bele - cer am-se planos de ascensão nas carr eir as, e os ser vidor es f or am r ecrutados em seleção democrática e justa. Ser vir ao Estado é uma honr a, e m uitos go v ernos dispõem de bur ocr acia estáv el, que se alter a m u ito pouco , quando se m udam os go v ernantes. Em quase todos os sistemas r epublicanos os ser- vidor es dos mais altos ga binetes do poder são selecionados entr e os melhor es quadr os de toda a administr ação . O s car gos de confiança estrita dos mandatá- rios são r eduzidos à sua secr e- taria pessoal. Não tem sido esse o nosso critério . Os políticos en- contr ar am o meio de fugir à me- ritocr acia, mediante os car gos em comissão . N o caso da ad- ministr ação feder al, o pr oble- ma se ag r a v ou com a m udança da capital par a Br asília. Não po- e xtinção de m uitos ór gãos, de f orma indiscriminada, e pela decisão de v ender os aparta- mentos funcionais, até então ocupados, mediante taxas r a - z oáv eis, pelos ser vidor es. Essa medida in via biliz ou, pelo alto v alor dos aluguéis na capital, a possibilidade de con v ocação de funcionários do r esto do país, e a briu as portas ao apr o v eita- mento de mor ador es do Distrito F eder al e de seu entorno , em posições importantes na admi- nistr ação local e nos altos ór- gãos da República. S e , e m s u a