Como pode um Presidente da República ser gravado?

O Jornal do Brasil, em artigo de Opinião publicado na sexta-feira (25), declarava ser uma indignidade a gravação que havia sido feita pelo ex-ministro Marcelo Calero em conversa com o presidente da República Michel Temer. É também uma indignidade afirmar que não havia intenção de gravar. Quando se marca encontro para uma discussão, amena ou não, o que se leva são argumentos. Se, ao aceitar o encontro, se prepara como arma uma gravação, há, sim, intuito de gravar.

Quando se leva uma arma para um encontro, se espera que a parte com quem vai se encontrar quer matar, por isto a arma, para se defender e, por conseguinte, matar.

Quando se leva um gravador, é com a preocupação de que quem convidou, sendo mais importante, minta sobre o que foi dito na reunião, pois, sendo inferior em posição hierárquica, sua palavra valeria menos. O gravador serviria então para desmentir qualquer tipo de covardia. Isto em uma conversa normal. Agora, em uma audiência com um presidente da República, responsável pela Segurança Nacional, a tentativa de desmoralizar a autoridade maior do país, mesmo que não houvesse a intenção dolosa , é criminosa.

É uma pena que um jovem profissional de tão boa reputação na sua atividade possa ter se maculado, correndo riscos administrativos maiores; que cerceando, com direito, a sua atividade profissional, tenha, tão jovem, se autodestruído para funções de Estado mais importantes.

A gravação, por si só, usada sem o conhecimento do interlocutor, já é um ato criminoso. Tratando-se um interlocutor que é o presidente da República, é a figura do povo, a quem o presidente representa, que foi atingida.

Esse expediente de gravações não pode se tornar banalidade em atividade pública, sem que o portador tenha a autorização da Justiça para assim proceder. Pois, se não tem autorização, é crime, sim.

As próprias gravações que vêm sendo feitas em um processo em que os criminosos quebraram o Brasil têm sido vistas com cuidado por muitas autoridades do Judiciário, que não estão aceitando este tipo de prova – e isto para defender o Estado contra criminosos. Repetimos, como pode um Presidente da República ser gravado?