Conservadores ficam para trás e esquerda e populistas avançam

Pesquisas sobre intenção de voto para prefeito de grande parte das cidades brasileiras mostraram que este não foi o ano dos conservadores, mas de candidatos da esquerda e, principalmente, dos populistas. Isto em um país que acabou de afastar a presidente afastada Dilma Rousseff em defesa de pautas mais conservadoras.

O Partido dos Trabalhadores tem registrado perdas, com   971 candidatos à prefeitura contra os 1.901 do pleito anterior. Enquanto a Lava Jato mira o partido do ex-presidente Lula, principal representante da esquerda do país, os candidatos que se alinham ao conservadorismo ou à direita, por sua vez, também não conseguem avançar. 

Uma explicação para isto seria um profundo descrédito de parte dos eleitores com políticos, aguçado por escândalos de corrupção, e vácuo produzido neste cenário pode ser preenchido por discursos populistas e carismáticos. Em um país de profunda crise em todos os setores, em meio a professores sem salários e hospitais sem atendimento, o país caminha para um perigoso cenário de falta de perspectivas, que pode culminar em uma situação ainda mais conflituosa com a ascensão do populismo e o aumento da criminalidade. 

No Rio, pesquisa divulgada na véspera da eleição pelo Datafolha apontou  Marcelo Crivella (PRB) com 32% das intenções de votos válidos no primeiro turno, Marcelo Freixo com 16%, e Jandira Feghali, 8%.  Pedro Paulo (PMDB) tinha 12%; Indio da Costa (PSD), 11%; Osorio (PSDB), 10%, que, somados os três, não vão muito longe dos 30% de conservadores e de direita. Se admitirmos que dos votos nulos e em branco há um número significativo de revoltados contra tudo, é porque o caminho pode não ter volta.

No Recife, o pessebista Geraldo Julio oscila entre 35% e 40% das intenções de voto, tendo como principal adversário o ex-prefeito João Paulo (PT), que tem entre 25% e 30% das intenções de voto. O candidato tucano Daniel Coelho aparece em terceiro na corrida.

Na Região Sul, o quadro foi marcado por reviravolta. Luciana Genro (Psol) estava na liderança em agosto, que agora está com o peemedebista Sebastião Melo, que tem como vice Juliana Brizola, neta do ex-governador do Rio, com 31% segundo o Ibope. Luciana registrava ontem 14%; Raul POnt (PT), 19%, e o tucano Nelson Marchezan Júnior, 21%.

Já em Belo Horizonte o cenário muda. O candidato do PSDB, João Leite, lidera com 35% segundo o Ibope. Kalil (PHS), tem 22%. 

Em Curitiba, o candidato do nanico PMN, ex-prefeito Rafael Grecca, despontava como favorito, com quase 30 pontos vantagem para o segundo colocado, o prefeito Gustavo Fruet (PDT), segundo o Ibope. 

Em entrevista para a Agência Senado, o filósofo francês Francis Wolff disparou: “Quando é governado por um tirano, o povo sonha em conquistar o poder. No entanto, ao alcançar a democracia, recusa-se a exercê-lo e abandona a política.” 

Para o filósofo, esse desinteresse favorece a ascensão de “políticos profissionais”, que, por não serem cobrados, buscariam aprovar ou impor medidas alheias às necessidades reais do povo. Com discursos demagógicos, esses candidatos venderiam a ideia de que todos os governantes são corruptos, menos ele. Segundo Wolff, assim que ditaduras nascem.